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Será que o Homo Ridiculus-Trend veio para ficar? Dizem que sim !



Abstract : Precisamos falar sobre trends. Precisamos falar sobre redes sociais. Precisamos falar sobre limites. Precisamos falar sobre o que é ridículo.

Lenio Luiz Streck


A ‘ontologia da frivolidade’ da falta de vergonha: fracasso civilizatório?

A indagação fundamental que assombra a contemporaneidade não reside mais nos grandes dilemas da filosofia, mas sim em uma constatação muito mais simples, porém tenebrosa: o projeto da humanidade deu errado? O que houve com o “sapiens”? Olhando as redes sociais, especialmente o Instagram e TikTok, a resposta é afirmativa.

O projeto civilizatório, antes ancorado na razão crítica, na emancipação do sujeito e na densidade do debate público (lembremos que Habermas nos deixou há alguns dias e, por certo, deve ter partido decepcionado com o desaparecimento da esfera pública, hoje colonizada por uma razão algorítmico-instrumental), parece ter colapsado sob o peso de um narcisismo algorítmico. Eis a palavra: narcisismo da algocracia. O ápice dessa “ontologia da frivolidade” manifesta-se no que a atualidade convencionou chamar de “nova moda” (ou “trend”): a proliferação viral de vídeos em que indivíduos dublam e performam a vazia indagação “será que eu sou…?”. Tem advogado, defensor público, delegado, médico e até propaganda institucional. Será que eles são? São o quê, afinal?

Uma observação: o “será que…” é apenas a ponta do iceberg. A pontinha. Há outras coisas parecidas que só as redes sociais podem “produzir”. Esta coluna é, assim, abrangente.

A angústia foi tragada por esse novo psicotrópico algorítmico, transformando-se em uma paródia trágica. Uma espécie de “bocozização”. Tudo é espetáculo, tudo por um click. Tudo por engajamento, mesmo que o preço seja o patético. Tudo é espetáculo. A dúvida deixou de ser o motor da investigação da verdade para converter-se em um espetáculo raso, criado sob medida para capturar a atenção imediata e acumular engajamento.

O ser humano, ao abdicar de sua capacidade de elaboração conceitual, transmuta-se naquilo que doravante podemos diagnosticar como o Homo Ridiculus. Do homo sapiens ao ridículo. Este “novo sujeito histórico” não apenas carece de substância intelectual, mas exibe a sua futilidade de forma ufanista. Tem orgulho do ridículo. A voragem digital espetacular é implacável.

Colapso da vergonha alheia e a perda do senso do ridículo

Para compreender a viabilidade da ascensão do Homo Ridiculus, é imperativo analisar a falência dos mecanismos de controle social, em especial a extinção da “vergonha alheia”. Historicamente, o constrangimento vicário operou como uma fronteira simbólica indispensável. A “dor psicológica” experimentada ao presenciar o ridículo de outrem servia como uma baliza moral, reafirmando os limites do decoro e da civilidade no espaço público. Quando a sociedade repudiava o comportamento inadequado, ela calibrava o seu próprio senso de proporção. Esse é o busílis.

Atualmente vivemos o declínio da vergonha. As plataformas digitais inverteram a lógica da sanção: o comportamento que antes geraria ostracismo e rubor passou a ser exponencialmente recompensado. Fazer fiasco gera likes. Perdemos o senso do ridículo de forma sistêmica. A imunização contra o pudor foi inoculada por meio de um condicionamento de reforços positivos.

O Homo Ridiculus prospera exatamente neste vácuo. Como se cria? O que come? Como se reproduz? Eis as perguntas fundamentais. Ao se expor em situações de frivolidade extrema sem qualquer traço de autoconsciência crítica, e ao receber aplausos de uma massa de “seguidores” igualmente alienados, o “novo sujeito” decreta o fim do próprio constrangimento. Perdeu-se a capacidade de indignação. E da capacidade de sentir vergonha. E isso é gravíssimo.

Estupidez como ciência aperfeiçoável : aplicação das 5 Leis de Cippola

Neste panorama desolador, é necessário refutar a ideia de que o momento atual seja fruto do mero acaso. Há nisso uma agnotologia (a construção deliberada da ignorância). A estupidez, na era algorítmica, deixou de ser uma condição inata ou uma deficiência cognitiva passiva; a estupidez é, hoje, uma “ciência empírica”. Ela é meticulosamente aperfeiçoável, possuindo métodos de validação, dinâmicas de replicação imediata e até métricas de desempenho (clics) otimizadas por inteligência artificial e análise de dados comportamentais.

Este fenômeno pode ser decodificado à luz de um arcabouço conceitual sólido, notadamente o postulado sobre as “5 Leis da Estupidez” (de Carlos Cippola e aperfeiçoadas por Mauro Mendes Dias), tese amplamente difundida no debate jurídico e crítico por meio de publicações das mais variadas, como já escrevi aqui na ConJur. A transposição desta verdadeira epistemologia dos néscios para o ecossistema das redes sociais expõe a mecânica exata do declínio social:

Lei número 1: sempre e inevitavelmente, cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos que circulam pelo mundo jurídico.

Com efeito, ao ver profissionais fazendo publicidade com TikTok do tipo “será que…”, está demonstrada a primeira lei. Quod erat demonstrandum constante.

Lei número 2: a probabilidade de que uma determinada pessoa enfiada até o pescoço nas redes sociais seja estúpida é independente de qualquer outra característica da mesma pessoa.

De fato, essa segunda lei também é verificável, já que nas diversas camadas profissionais (a área jurídica é o locus privilegiado!), a distribuição do Índice de Estupidez (IE) é quase igual. Basta uma olhada rápida no mundo das lives. Todo mundo virou “artista”, com o que todos os gatos se tornaram pardos. As neocavernas desafiam o desgosto de Platão.

Lei número 3: uma pessoa estúpida, mormente se tiver formação jurídica (porque são muitos) é aquela que causa dano a outra pessoa ou grupo sem, ao mesmo tempo, obter um benefício para si mesmo ou mesmo causar prejuízo.

Perfeita a terceira lei. Cipolla não considerou a estupidez como uma questão de quociente intelectual, mas sim uma falta de inteligência relacional. Ele parte da ideia de que, ao nos relacionarmos uns com os outros, podemos obter benefícios e proporcionar benefícios aos outros ou, pelo contrário, podemos causar danos ou prejudicar os outros. Mas nas redes sociais não é assim. Se você posta algo sofisticado, o estúpido (mormente o formado em direito) vem e faz como o pombo no jogo de xadrez: esculhamba as pedras e faz cocô no tablado. E sai dizendo que venceu. De peito estufado. Orgulhoso de sua vencedora estupidez.

Segundo Cipolla, há ainda o supernéscio: aquele que esculhamba os não-néscios e ainda se prejudica, sendo processado pelo que postou. Ou seja, só prejuízo.

Lei número 4: as pessoas não-estúpidas sempre subestimam o potencial prejudicial de estúpidos.

Essa quarta lei de Cipolla é autoexplicativa. Por vezes, eles atacam à socapa e à sorrelfa. E nem conseguimos reagir. Estupefatos com a estupidez dos estúpidos. Nosso erro: achar que tudo isso é “só brincadeirinha”. “São inofensivos”, diz-se. Pois é. Será que são? (desculpem o “será que”).

Lei número 5: o estúpido (ou néscio) é o mais perigoso.

Também a quinta lei é autoaplicável. Como diz Cipolla, “Todos os seres humanos estão incluídos em quatro categorias fundamentais (eu acrescentei uma quinta!): o desavisado, o inteligente, o malvado (ou ladrão) e o estúpido. De onde:
A pessoa inteligente sabe que é inteligente;
o malvado está ciente de que ele é mau;
o desavisado é dolorosamente imbuído do senso de sua própria sinceridade e,
ao contrário de todos esses personagens, o estúpido não sabe que é estúpido. Ele não sabe que não sabe;
E por isso temos o dever civilizatório de avisar o estupido de que ele(a) é estúpido (a).
Como acentua Cipolla, isso de não saber que não sabe (essa parte é minha) contribui para dar maior força, incidência e eficácia à sua ação devastadora. Aqueles que sabem que não sabem estão perdidos, entre todos aqueles que acham que sabem que sabem, aqueles que sabem que não sabem, mas fazem mesmo assim (razão cínica), e aqueles que não sabem que não sabem e não querem saber que não sabem tudo aquilo que não sabem e nem querem saber.

Há, assim, um contraste absoluto entre a racionalidade esperada e a operação da estupidez aperfeiçoável, evidenciando o abismo ontológico (e gnosiológico). Diante da construção de sentido civilizatório, o homo ridiculus contrapõe a maximização do engajamento por meio de humor rasteiro e imitação; diante do necessário pudor e proteção da intimidade, o homo ridiculus contrapõe a exposição de si mesmo de forma escancarada; diante da possibilidade de prejuízo reputacional, o homo ridiculus aceita o desgaste em troca da exposição espetacularizada; diante de uma necessária e indispensável persuasão, expõe-se para viralizar, exigindo imediatidade.

A sociedade espetacularizada (isso não é novo!)

A disfunção comportamental atinge seu ápice de gravidade quando o Homo Ridiculus invade a esfera institucional. As instituições republicanas e a liturgia que as cerca não são adereços meramente burocráticos; elas representam a reserva de credibilidade necessária para a manutenção do Estado Democrático.

O caso que envolve presidente(a) de subseções da Ordem dos Advogados do Brasil serve como arquétipo desta falência. Uma representante da entidade foi alvo de pesadas críticas ao protagonizar, ao lado de outra presidente seccional, por um vídeo que abraçava sem ressalvas o “trend” “Será que eu sou?“. Na encenação, o mínimo de liturgia foi reduzido a frases de efeito dubladas como “Dizem que sou presidente da OAB…” Será?“, acompanhadas de danças formatadas para o Instagram. Isso se repetiu com defensor público e advogados. E se espalha como um rastilho de pólvora. Afinal, é trend!

A tentativa de atenuar o vexame sob a justificativa de que a “trend” representava “bom humor” para o início do fim de semana não apenas ignora a liturgia necessária à função, como comprova a letalidade da segunda lei da estupidez: o cargo de proeminência não evita a sucumbência ao ridículo. A defesa das prerrogativas da advocacia, pauta construída historicamente, fica fragilizada em seu peso político ao ser engolida pelo “mundo encantado” da rede social. Entra aqui a terceira lei da estupidez.

A necessária crítica e aquilo que aqui passo a denominar de ‘hermenêutica da resistência’

Diante do esfacelamento do senso do ridículo e do avanço irrefreável dessa ciência da estupidez, a submissão silenciosa torna-se um ato de cumplicidade. É nesse sentido que a manifestação pública de resistência ganha força imprescindível. A postura de vozes críticas, a exemplo da publicação de Andreia e Helio Tonelli Jr é de suma importância. Ambos, de forma direta e sem eufemismos, jogaram pesado, no Instagram, com a “nova moda”. Eles não exercem um conservadorismo puritano, mas uma verdadeira hermenêutica da sobrevivência. Ao apontarem a insustentabilidade e o caráter patético do fenômeno, resgatam o único antídoto possível contra o veneno do conformismo e da banalização: a denúncia firme da burrice espetacularizada, além de buscar as causas científicas do fenômeno.

A oposição expressa por tais críticas delineia a linha divisória entre a aceitação do fracasso civilizatório e a luta pela dignidade do intelecto. A verdade inconveniente é que não há humanidade alguma em comportar-se como um fantoche de métricas; trata-se do esvaziamento total do sujeito em favor de um sistema operado por hiperconexão vazia.

Retomo as provocações iniciais: a humanidade fracassou? O fracasso é o diagnóstico preciso de um tempo que celebra a anulação da cognição, aos poucos cada vez mais terceirizada.

Perdemos o senso do ridículo de forma quase irreversível, e a ausência da vergonha alheia deixou a praça pública desprotegida contra o avanço das indignidades. A polis foi carcomida. E, sim, a estupidez foi elevada ao “status de ciência” (sarcasmo!), porque pode sempre ser aperfeiçoada.

Resta saber se essa resistência será capaz de desarticular as armadilhas do Homo Ridiculus ou se seremos todos condenados a figurar como coadjuvantes trágicos na grande coreografia do abismo.

No que isso tudo vai dar?



 Lenio Luiz Streck é professor, parecerista, advogado e sócio fundador do Streck & Trindade Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br








A novela das frutas é adequado para crianças?



A resposta direta e definitiva dos especialistas é: não. Embora a aparência dos personagens sugira um material inofensivo, o enredo dessas mininovelas costuma passar longe da inocência.

Muitas dessas esquetes carregam humor ácido, linguagem de duplo sentido, tramas de traição e até mesmo situações de violência disfarçadas de comédia.

Como a estética colorida engana, é muito fácil para uma criança ser atraída pelo visual e acabar exposta a temas para os quais ainda não tem maturidade emocional ou filtro crítico.

Por que não deixar meu filho assistir novela das frutas?

A principal razão é a falta de curadoria e a imprevisibilidade do conteúdo. Por se tratar de uma tendência gerada por IA, as animações podem ser facilmente replicadas por novos usuários, o que cria um volume incontrolável de vídeos na internet.

Qualquer criador pode gerar a sua própria versão e inserir enredos abusivos, violentos ou de conotação sexual, sem passar por nenhuma moderação prévia.

Como não há um “estúdio oficial” controlando as histórias, um episódio que começa de forma aparentemente inofensiva pode sofrer uma reviravolta e terminar de forma inapropriada.

Para os adultos, essa quebra de expectativa funciona como uma sátira; para uma criança, a mensagem é apenas confusa e prejudicial.

Quais são os riscos de deixar meu filho ver novela das frutas?

Quando os responsáveis terceirizam o entretenimento sem supervisão, as crianças ficam vulneráveis. Os principais riscos da novela das frutas incluem:

Exposição a temas adultos: Acesso precoce a vocabulário impróprio, insinuações maliciosas e resoluções violentas de conflitos, que a criança pode tentar reproduzir no “mundo real”.

Dissonância cognitiva e ansiedade: Ver figuras que deveriam ser amigáveis e acolhedoras agindo de forma hostil pode gerar medo, ansiedade e até pesadelos nos mais novos.

Bula no controle parental: Como a “embalagem” do vídeo é extremamente infantil, muitas vezes essas produções conseguem driblar os filtros automáticos de segurança das redes sociais, chegando diretamente ao feed das crianças sem que a plataforma identifique o perigo do roteiro.

Superestimulação: Com cortes rápidos, cores hipervibrantes e roteiros caóticos, esses vídeos são projetados para reter a atenção a qualquer custo. O consumo contínuo pode causar superestimulação sensorial, dificultando a concentração em atividades mais lentas.

Exposição a caixas de comentários impróprias: O perigo nem sempre está apenas no vídeo. Como a “novela das frutas” é um meme consumido predominantemente por adultos, a aba de comentários pode conter piadas indecentes, ironias e debates que uma criança alfabetizada pode facilmente acessar e ler.

Estímulo ao “consumo zumbi” (Brainrot): Ao pular de um vídeo curto para outro no feed infinito, a criança entra em um estado de visualização passiva. Ela consome um volume enorme de conteúdo vazio e de baixa qualidade educativa, substituindo o tempo dedicado ao aprendizado ativo.

Como evitar que meu filho veja novela das frutas?

Bloquear completamente um conteúdo viral na internet é um desafio quase impossível. No entanto, é possível reduzir a exposição combinando configurações de segurança com supervisão ativa.

Veja algumas medidas práticas para proteger o feed das crianças e evitar que esse formato chegue até elas:

Utilize plataformas infantis dedicadas: Evite deixar a criança navegar livremente pelo TikTok ou pelo aplicativo padrão do YouTube. Dê preferência ao YouTube Kids, onde o filtro é muito mais rigoroso.

Treine ativamente o algoritmo: Se uma “novela das frutas” aparecer na tela da sua casa, não basta apenas passar o vídeo rapidamente. Use as opções “Não tenho interesse” ou “Não recomendar este canal” disponíveis nos aplicativos.

Configure o controle parental do dispositivo: Ferramentas como o Google Family Link (Android) ou o Tempo de Uso (iOS) permitem que os pais restrinjam o download de aplicativos que não são apropriados para menores de 13 anos.

Aposte na educação digital: A tecnologia falha, mas o diálogo é uma rede de segurança constante. Explique para a criança, com uma linguagem adequada à sua idade, que nem todo desenho animado e colorido da internet foi feito para ela.

O que assistir no lugar da novela das frutas?

O ideal é substituir o tempo de tela por produções que tenham curadoria humana, ritmo adequado para o desenvolvimento infantil e valor educativo.

O foco deve ser em histórias com começo, meio e fim claros, que ensinem lições e explorem o mundo de forma saudável. Opte por:

Animações de ritmo lento e foco socioemocional: O oposto da superestimulação e dos cortes frenéticos dos vídeos curtos. Desenhos como Bluey, Daniel Tigre e O Show da Luna! não sobrecarregam a atenção da criança e focam em resolução de problemas diários.

Séries com curadoria pedagógica: Dê preferência a produções de canais focados em educação. Esses estúdios contam com a consultoria de especialistas durante a criação dos roteiros.

Canais de contação de histórias: No YouTube Kids, existem canais geridos por educadores que se dedicam a contar e ilustrar histórias infantis. Ao apresentá-los ao seu filho você estimula a imaginação, melhora o vocabulário e incentiva a leitura física.

É importante lembrar que substituir um conteúdo viciante por produções mais calmas pode gerar alguma resistência inicial por parte da criança. A “desintoxicação” é um passo essencial para proteger a saúde mental e o desenvolvimento cognitivo dos pequenos a longo prazo.







A chamada “novela das frutas”, produzida com inteligência artificial e difundida nas redes sociais, passou a gerar alerta entre psicólogos por misturar estética infantil com conteúdos que incluem palavrões, preconceito, misoginia e sexualização. Os vídeos apresentam frutas com características humanas em narrativas curtas, estruturadas em formato contínuo. Com informações do Metrópoles.

Segundo a psicóloga Maysa Nóbrega, esse tipo de conteúdo se enquadra no chamado “brain rot” (apodrecimento cerebral), termo usado para descrever produções consideradas superficiais. Ela afirma que o formato pode contribuir para a banalização de situações como traições, violência e morte, ao estimular o consumo repetido de histórias curtas com esses temas.

A psicóloga Victória Pannunzio destaca que a apresentação em animação pode fazer com que cenas de conflito pareçam mais leves, ao mesmo tempo em que mantém o envolvimento emocional do espectador. As especialistas apontam a necessidade de acompanhamento, especialmente no caso de crianças, devido à combinação entre linguagem visual atrativa e temas considerados sensíveis.





O Colapso da Internet na Tempestade Solar de 2024

 







5 estratégias de roubo cibernético : como se proteger ?


O roubo cibernético é uma realidade cada vez mais frequente e sofisticada. Aos poucos, as pessoas estão migrando muitas de suas atividades para o mundo virtual. Isso inclui compras e transações financeiras. Por esse motivo, e por muitos outros motivos, a Internet tornou-se um cenário em que fraudes e roubos são cometidos.

O sucesso de grande parte do roubo cibernético se deve às chamadas táticas de engenharia social. A grande maioria destes crimes são cometidos com a colaboração da vítima. O que eles fazem é induzi-lo a fazer alguma ação que permita fraudes.

Em geral, as técnicas de roubo cibernético buscam revelar informações confidenciais a criminosos pensando que você está fazendo algo muito diferente, como fornecer os dados necessários para poder obter um desconto em determinada assinatura. Eles fazem isso colocando você em situações convincentes ou comprometedoras e criando cenários fictícios. Em outras palavras, eles distorcem a realidade, mas a tornam crível para você. Vamos dar uma olhada em cinco dessas táticas abaixo e contar como você pode se proteger.
“Senhas são como roupas íntimas: não deixe que outras pessoas as vejam, altere-as com frequência e não as compartilhe com estranhos”.  - Jeff Jarmoc -


A maioria dos furtos cibernéticos são cometidos com a colaboração da vítima, mesmo que ela não tenha conhecimento disso.

1. Phishing, a tática mais usada em roubos cibernéticos

O phishing é uma das técnicas mais frequentes no roubo cibernético. É simples, mas eficaz. Consiste em se passar pelo administrador de um sistema e solicitar suas senhas para cumprir um objetivo legítimo. O mais comum é que você receba um e- mail solicitando a senha para reativar uma configuração ou resolver um problema com sua conta bancária ou cartão de crédito.

É muito comum que esses e-mails busquem gerar um estado de preocupação ou alarme. “Eles tentaram invadir sua conta. Você deve fazer login agora mesmo para alterar sua senha”, ou mensagens semelhantes. Ao ficar nervoso, você fica mais vulnerável. É possível que você aja por impulso, clicando no link que acompanha aquele e-mail e pronto.

Como se proteger? Nunca use os links que vêm nessas mensagens. Abra a página do seu banco ou do seu produto financeiro separadamente e realize qualquer ação a partir daí.

Não precisa ter muita coisa, tendo noção já está bom



Marcel Camargo

Acho que todo texto meu atualmente começa com “tempos difíceis”. Sei lá, mas essa expressão vem à minha cabeça toda vez que começo a escrever. É automático. Assim como o modo automático está embalando uma imensa quantidade de pessoas em seu cotidiano. Parece que as pessoas acordam, trabalham, vão e voltam, sem parar para refletir e enxergar a vida lá fora. Inclusive acontece comigo, vez ou outra.

Tudo está tão corrido, tão pesado. A pandemia aflorou medos, incertezas, dissidências, desconfigurou as relações em todos os setores. Na escola, por exemplo, parece que eu desaprendi a ser professor e estou tendo que recomeçar do zero. Assim também é com os alunos. O mundo deu uma sacudida, trouxe à tona questões que ficavam adormecidas, como a morte, a saúde pública, muitos medos e comportamentos humanos e desumanos.

Nessa toada, tivemos que reaprender a conviver em sociedade, para além das redes sociais. Porque, quando estamos em frente ao computador ou ao celular, tem-se a impressão de que estamos protegidos, estamos longe das reações das pessoas, ou seja, perdemos um pouco os freios e limites que pautam o convívio real. Ali na internet, muitos se veem mais livres e ousados. Daí o tanto de discussões mais exaltadas que se travam pelo mundo virtual.

Quando estamos frente a frente com o outro, as reações dele ao que falamos e fazemos são imediatas, o que nos faz ter mais meios de nos controlarmos, de termos mais noção do quanto estamos ultrapassando ou não certos limites. Mas isso que se dilui nas interações virtuais. E essa noção das coisas precisa urgentemente de ajustes, porque não dá para conviver sem levar em conta as pessoas que nos rodeiam. E ainda tem gente que quer levar a vida sem perceber o alcance de suas ações nas vidas alheias. Isso não pode ocorrer.

É por isso que eu digo que as pessoas precisam ter um mínimo de simancol, percebendo quando estiverem sendo inconvenientes, invasivas, agressivas, chatas. A gente precisa ter senso. Tem que perceber quando estiver incomodando, quando não estiver sendo bem vindo ou forçando algo à toa. Das coisas que todos devemos ter: noção. Para ontem.











Como o TikTok afeta o cérebro


O TikTok é um aplicativo extremamente atraente e divertido. No entanto, o uso indevido dele pode afetar nossa saúde mental.

O TikTok se tornou uma das redes sociais mais populares nos últimos tempos, principalmente entre os mais jovens. Crianças, adolescentes (e até adultos) podem passar horas percorrendo esses vídeos curtos. E embora isso pareça uma ótima forma de entretenimento, também traz riscos significativos. Por esse motivo, hoje queremos falar com você sobre como o TikTok afeta o cérebro.

As novas gerações são nativos digitais e a tecnologia é parte intrínseca de suas vidas. Na internet encontram conhecimento, socialização e lazer, e todos os dias surgem novas plataformas para explorar e desfrutar. O TikTok encontrou uma fórmula que cativa e envolve; portanto, é importante que estejamos cientes de seus riscos e consigamos usá-lo com moderação.

A fórmula mágica do TikTok

Embora o TikTok não ofereça nada que já não tenha sido visto em outras plataformas digitais, a verdade é que combina uma série de características que o tornam especialmente atraente:Oferece vídeos curtos. O conteúdo audiovisual da plataforma é composto por clipes que duram entre alguns segundos e alguns minutos. Desta forma, a informação é concentrada e apresentada de forma concisa e apelativa.

Mostra a cada usuário conteúdo totalmente personalizado. Isso se deve a um algoritmo que capta os interesses de cada pessoa com grande precisão para oferecer-lhes o conteúdo que gera mais atração para elas.

Os vídeos curtos seguem um ao outro infinitamente, conforme o usuário desliza a tela. Dessa forma, um reforço intermitente é gerado: embora não gostemos de todos os clipes, dá a impressão de que “ao virar da esquina” haverá algum conteúdo magnífico que não podemos perder.

E é assim que o TikTok afeta o cérebro, ativando poderosamente o sistema de recompensas graças às descargas de dopamina geradas ao assistir a cada um de seus vídeos. Isso não apenas proporciona prazer imediato, mas também o uso do aplicativo fica registrado como uma atividade desejável que tendemos a repetir.

O TikTok gera um reforço intermitente que incentiva a reutilização do aplicativo.

É assim que o TikTok afeta o cérebro

Se usada criteriosamente e com moderação, esta plataforma social oferece grandes possibilidades de entretenimento. No entanto, também traz uma série de riscos que afetam principalmente crianças e adolescentes:

Diminui a atenção e a concentração, afetando a memória

Profissionais de saúde, pais e educadores detectaram que os pequenos têm cada vez mais dificuldade em prestar atenção e se concentrar por períodos prolongados. E, sem dúvida, redes sociais, telas e principalmente aplicativos como o TikTok influenciam nesse sentido.

Lembremos que os jovens estão numa fase particularmente vulnerável. O córtex pré-frontal (responsável pelo controle de impulsos, memória e atenção) não termina de se desenvolver até aproximadamente 25 anos de idade. E a exposição a esse tipo de estimulação (em que se oferece conteúdo e gratificação instantânea) pode influenciar negativamente no desenvolvimento dessas habilidades cognitivas.

Prejudica a capacidade de adiar a gratificação

Usar o TikTok nos deixa impacientes e dificulta o adiamento da gratificação. Acostuma-nos a obter reforços com facilidade e rapidez, e nos faz perder o interesse em tudo o que exige tempo e esforço. Infelizmente, na vida real, paciência, perseverança e capacidade de adiar recompensas são altamente necessárias.

Pode levar a problemas de desenvolvimento social e emocional

Tal como acontece com outras redes sociais, o uso excessivo pode ser prejudicial às interações humanas reais. Por mais gratificante que seja a socialização virtual, o contato humano e o estabelecimento de redes de apoio são fundamentais para o nosso bem-estar, sendo cada vez mais comum negligenciarmos esse aspecto investindo nosso tempo e energia em redes.

Além disso, os pequenos são expostos a conteúdos impróprios, imprecisos e distorcidos. É muito comum crianças e adolescentes se compararem com as “vidas ideais” e “físicos perfeitos” que veem online, sem realmente se dar conta da mentira, preconceito ou uso de filtros que veem nesse conteúdo. Isso pode gerar problemas de autoestima e levar a transtornos psicológicos.

É até possível que o algoritmo alimente problemas de saúde mental emergentes ou existentes. E é que não mostra apenas um conteúdo agradável e marcante, mas também aquele relacionado aos medos e preocupações de cada pessoa. Portanto, alguém com depressão ou transtorno alimentar pode estar mais exposto a conteúdos relacionados à sua condição.

Causa vício

Por fim, uma das maneiras pelas quais o TikTok afeta o cérebro é causando vício em alguns usuários. Isso é relativamente fácil de acontecer devido ao imediatismo do conteúdo e à precisão do algoritmo. Podemos passar horas e horas explorando o aplicativo sem perceber o tempo decorrido e deixando de lado outras atividades e áreas vitais de extrema importância.

Além disso, é comum ter problemas para parar de usar o aplicativo, mesmo quando consideramos que já faz muito tempo e queremos parar.

Há pessoas que têm problemas para parar de usar tanto o TikTok quanto
 outras redes sociais.

Você já sabe como o TikTok afeta o cérebro: é hora de agir

Embora esta rede social (como tantas outras) envolva riscos e inconvenientes, não se trata de demonizá-la. É possível apreciá-lo e aproveitar seu conteúdo desde que saibamos manter limites saudáveis. Restringir o tempo de uso, cuidar do conteúdo que consumimos e, acima de tudo, estar ciente de como o aplicativo pode nos afetar é essencial.

Se você tem adolescentes que usam o TikTok, estabeleça limites, monitore e fique atento. Explique os riscos e forneça orientações para o uso adequado; mas, sobretudo, incentive eles a ter uma vida completa e variada para além do mundo virtual.



A China colocou em órbita o primeiro satélite com tecnologia 6G do mundo

 







A China colocou em órbita o primeiro satélite com tecnologia 6G do mundo

 



Sexo e tecnologia : influência e particularidades




Sexo e tecnologia podem se tornar um binômio excepcional se forem bem compreendidos,  mas podem se transformar em um pesadelo
 se o vínculo criado não for respeitado.

Sexo e tecnologia são dois termos que mantêm um relacionamento cada vez mais próximo. Por milhares de anos a sexualidade humana não foi afetada por muitos avanços tecnológicos; no entanto, atualmente, a tecnologia também começou a tomar o centro do palco neste campo.

É claro que isso é possível porque existe a tecnologia em si, mas também porque o modo de compreender e viver a sexualidade se transformou. Então, vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto.

Sexo e tecnologia: influências

Os avanços tecnológicos ofereceram novos espaços aos seres humanos. Sem dúvida, esse fato fez com que novas formas de socialização fossem geradas em todas as áreas, inclusive a intimidade.

Como a sexualidade é uma faceta tão importante na vida de um ser humano, qualquer elemento que a condicione se torna importante. Em relação à tecnologia, os aplicativos móveis, a internet e as redes sociais são provavelmente os que mais influenciaram.


Hoje em dia, quase todo mundo tem um “telefone sombra”; no entanto, não fazemos mais ligações do que antes. Pelo contrário, tendemos a optar por formas mais distantes de comunicação. Nesse sentido, a evolução está ocorrendo em tal velocidade que é difícil estudar e tirar conclusões sobre como nos relacionamos com a tecnologia.

Não há dúvidas de que, a nível pessoal e social, sua influência é importante. Embora às vezes pareça imprevisível, devemos nos manter a par da relação entre tecnologia e sexo, especialmente se nos referirmos a comportamentos inadequados ou patológicos.

Internet e sexo

A internet é infinita, sendo também infinito o número de páginas e referências com conteúdo sexual. Tanto a nível recreativo quanto para informação, a grande rede é um destino de preferência, embora não seja necessariamente adequado em todos os casos.

Por outro lado, no estrato social mais jovem (incluindo adolescentes e menores de idade), o compartilhamento de conteúdo sexual de geração própria é uma prática que tem se implantado fortemente. Há atributos que a tornam muito atraente, o protagonismo fica com o visual – em um mundo de pessoas cada vez mais visuais – e não requer muito tempo.

Conteúdo para adultos

Podemos encontrar material sexual em diferentes formatos. Não há necessidade de procurar muito. Por outro lado, as estatísticas nos dizem que falamos de um gênero que tem um grande público e uma ampla gama de idades.

Hoje sabemos, por exemplo, que o conteúdo compartilhado condiciona bastante as condições das expectativas sexuais das pessoas que o consomem. De certa forma, nosso cérebro parece não processar o que percebe como ficção.

Sexting

Uma das práticas que unificam sexo e tecnologia e que está entre as mais perigosas é o sexting. Ocorre especialmente entre jovens e adolescentes e consiste no envio de fotos e vídeos com conteúdo sexual explícito que são tomados como selfie com o celular.

Embora possa ser uma prática que introduz a sedução na vida sexual adulta, entre os jovens se tornou um jogo erótico arriscado. Além de aumentar o desejo, também faz com que alguns materiais acabem em mãos indesejadas, fazendo com que se disseminem conteúdos não permitidos e inadequados.

Infelizmente, na perversão desta prática, encontramos o grooming. O groomer é um indivíduo que busca prejudicar menores de idade usando redes sociais e métodos tecnológicos para entrar em contato com as pessoas, geralmente muito mais jovens, disfarçando sua aparência para obter material sexualmente explícito de suas vítimas.
“ Tornou-se terrivelmente óbvio que nossa tecnologia superou nossa humanidade."   - Albert Einstein -



Sexo e tecnologia, um relacionamento polêmico

Aludindo ao assunto que nos preocupa, podemos dizer que sexo e tecnologia formam um binômio polêmico. A tecnologia abre um campo de possibilidades, mas a contrapartida é que muitas delas, longe de nos favorecer, podem nos fazer muito mal. Escolher bem o que queremos ou não queremos, além de ser nosso direito, tem muito a ver com nossa autoestima e empatia.

Por outro lado, a tecnologia revolucionou o vínculo afetivo dos indivíduos. Aplicativos como o Tinder, que dão origem a relacionamentos ou pseudo-relações em que todos os estágios passam muito rapidamente, se encaixam muito bem em uma concepção um tanto perversa do amor: o amor como um objeto de consumo com independência do outro.

A tecnologia também desenvolveu o que são conhecidos como dispositivos hápticos (relacionados ao toque). Ou seja, dispositivos que simulam a sensação de tocar ou ser tocado por outra pessoa. Mas todo esse sexo virtual que pode ser considerado uma vantagem não implica que a comunicação íntima melhore. De fato, em muitos casos tem criado conflitos, desconfiança e prejuízos severos.

No fim, poderíamos dizer que não se trata da tecnologia em si, mas de como a aplicamos. A tecnologia aplicada ao sexo não é ruim em si mesma; o uso ou abuso que fazemos dela será o que determina seus benefícios para cada pessoa ou casal.






Fundawear apresenta um servidor em tempo real exclusivo que se comunica entre dispositivos touchscreen e roupas.

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Sexo e tecnologia : influência e particularidades




Sexo e tecnologia podem se tornar um binômio excepcional se forem bem compreendidos,  mas podem se transformar em um pesadelo
 se o vínculo criado não for respeitado.

Sexo e tecnologia são dois termos que mantêm um relacionamento cada vez mais próximo. Por milhares de anos a sexualidade humana não foi afetada por muitos avanços tecnológicos; no entanto, atualmente, a tecnologia também começou a tomar o centro do palco neste campo.

É claro que isso é possível porque existe a tecnologia em si, mas também porque o modo de compreender e viver a sexualidade se transformou. Então, vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto.

Sexo e tecnologia: influências

Os avanços tecnológicos ofereceram novos espaços aos seres humanos. Sem dúvida, esse fato fez com que novas formas de socialização fossem geradas em todas as áreas, inclusive a intimidade.

Como a sexualidade é uma faceta tão importante na vida de um ser humano, qualquer elemento que a condicione se torna importante. Em relação à tecnologia, os aplicativos móveis, a internet e as redes sociais são provavelmente os que mais influenciaram.


Hoje em dia, quase todo mundo tem um “telefone sombra”; no entanto, não fazemos mais ligações do que antes. Pelo contrário, tendemos a optar por formas mais distantes de comunicação. Nesse sentido, a evolução está ocorrendo em tal velocidade que é difícil estudar e tirar conclusões sobre como nos relacionamos com a tecnologia.

Não há filme mais atual para nós, brasileiros, do que o polonês “ The hater – Rede de ódio ”


Não há filme mais atual para nós, brasileiros, do que o polonês ...


PUBLICADO NO BLOG DO INSTITUTO MOREIRA SALLES

POR JOSÉ GERALDO COUTO

Não pode haver filme mais atual – especialmente para nós, brasileiros – do que o polonês The hater – Rede de ódio, de Jan Komasa, que acaba de chegar à Netflix. O filme é deste ano, e chegou depressa ao streaming porque a pandemia de covid forçou o fechamento dos cinemas no mundo todo logo depois que ele entrou em cartaz na Polônia, em março.

Ao acompanhar algumas semanas ou meses na vida do jovem Tomasz Giemsa (Maciej Musialowski) em Varsóvia, The hater lança luz sobre o mecanismo de funcionamento das redes de ódio e fake news que infestam a internet, tornando quase irrespirável a atmosfera de nossa época. Mais que isso: o filme expõe as articulações desse submundo virtual com a deterioração do debate político e o recrudescimento de tendências como a xenofobia, o racismo, a homofobia e a intolerância religiosa.

Mas não se trata propriamente de um libelo político ou de uma denúncia “exterior”, e sim de uma tentativa de imersão no mundo emocional e psíquico de alguém que está no meio dessa engrenagem, alimentando-a e ao mesmo tempo sendo alimentado por ela. Por isso a narrativa não se descola jamais do ponto de vista de Tomasz, ou Tomek, como é chamado, buscando apreender suas motivações.

E Tomek é, antes de tudo, um ressentido. A primeira cena o mostra num momento de humilhação: flagrado por plágio num trabalho acadêmico, é expulso da faculdade de direito e ainda recebe uma lição de moral dos diretores da escola. Em seguida, ficamos sabendo que ele é um rapaz pobre do interior cujas despesas escolares são bancadas por uma família progressista, cosmopolita e intelectualmente sofisticada. Num jantar na casa bacana da família, ele é tratado com condescendência pelo casal de meia-idade e pela jovem e bela filha, Gabi (Vanessa Aleksander).

Antes de sair da casa, Tomek deixa disfarçadamente seu celular no sofá, no modo de gravação. Pouco depois, volta para recuperá-lo e, a caminho de casa, ouve as frases de escárnio com que seus benfeitores se referiam a ele às suas costas. Antes disso, ao se despedir de Gabi, diz que gostaria de manter contato com ela. A moça diz: “Peça minha amizade no Facebook”. E ele: “Eu já pedi. Há sete anos.” A essa altura, com poucos minutos de filme, já temos os dados básicos: o perfil psicossocial do protagonista, sua desenvoltura com a tecnologia digital e a subcorrente sexual que percorrerá todas as relações.

Do recalque à ação

A condição de humilhado é a base do comportamento de Tomek e da sua leitura da realidade. Inteligente e ambicioso, ele se emprega numa agência que presta serviços de marketing eletrônico. Entre outras coisas, o que se faz ali é derrubar a imagem de firmas concorrentes das empresas dos clientes. Logo a coisa envereda para as campanhas políticas, com perfis falsos de internet feitos para espalhar fake news, destruir reputações, insuflar ódios diversos. Qualquer semelhança com certo gabinete instalado no Planalto Central talvez não seja mera coincidência.

Dos ódios virtuais à violência real é um passo. Para concentrar na trajetória de um único personagem todas as questões que levanta, o diretor Jan Komasa se descuida às vezes da verossimilhança, engendrando situações não muito críveis, mas vá lá: acreditamos no personagem (graças em grande parte à excepcional atuação de Musialowski), e é isso que importa. Desse modo, o filme consegue ser, ao mesmo tempo, um thriller político e um estudo sobre a solidão e o recalque.

Mais do que propriamente o ódio, é o ressentimento que move Tomek e seus parceiros de desatino – como o sinistro Guzek, um bobalhão aficionado por videogames, que mora com a avó doente e tem tara por armamento pesado. Imagine, digamos, um tenente expulso do exército por mau comportamento, ou um deputado do baixo clero desprezado pelos colegas, ridicularizado pela imprensa e ignorado pela intelectualidade. Uma figura assim, com poder na mão, é um perigo incalculável.








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