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Seleção do Irã deixa carta emocionante após empate com a Bélgica na Copa



247 - Em meio a uma Copa do Mundo de 2026 marcada por desafios logísticos e tensões geopolíticas, a seleção do Irã protagonizou um dos momentos mais simbólicos da competição ao deixar uma carta manuscrita no vestiário do SoFi Stadium, em Los Angeles, após o empate sem gols com a Bélgica.

A mensagem, encontrada após a saída da delegação iraniana do estádio, agradece a hospitalidade da cidade norte-americana, presta homenagem aos torcedores que acompanharam a equipe durante a fase de grupos e faz um apelo pela paz entre as nações. O texto, escrito em inglês, rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e foi amplamente compartilhado por torcedores e observadores do torneio.

Ao longo da carta, os iranianos ressaltam a herança histórica de seu país e o espírito demonstrado pela equipe durante a competição. Um dos trechos mais marcantes afirma: “Da antiga Pérsia de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã permanece vivo e inabalável.”

A delegação também destacou a forma como encarou sua participação no Mundial, enfatizando valores como honra e dignidade durante sua passagem pelos Estados Unidos.

“Viemos a Los Angeles com orgulho, competimos com honra e partimos com dignidade. Obrigado, Los Angeles, por sua hospitalidade”, agradecem os jogadores.

Outro trecho da mensagem foi dedicado aos milhares de iranianos residentes na Califórnia e em outras regiões dos Estados Unidos que apoiaram a seleção nas arquibancadas. Os jogos da equipe se transformaram em importantes encontros da comunidade iraniana durante o torneio. “Obrigado a todos os iranianos que deram seu coração, sua voz e sua alma ao Irã durante estes 180 minutos”, diz a carta.

A carta se encerra com uma mensagem de alcance universal, que se tornou o ponto mais compartilhado do documento: “Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações.”

Dificuldades fora de campo

O gesto ocorreu em um contexto delicado para a seleção iraniana. Desde o início da Copa, a equipe tem enfrentado uma rotina desgastante de deslocamentos. Em razão de restrições relacionadas à permanência da delegação em território norte-americano, os jogadores precisaram retornar à sua base em Tijuana, no México, após cada partida disputada nos Estados Unidos.

A situação foi criticada pelo atacante e capitão Mehdi Taremi depois da estreia contra a Nova Zelândia. Na ocasião, o jogador classificou a logística enfrentada pela equipe como um “desastre”, argumentando que os constantes deslocamentos prejudicavam a recuperação física e a preparação para os confrontos seguintes.

Campanha mantém sonho da classificação

Apesar dos obstáculos, o Irã encerrou sua passagem por Los Angeles sem derrotas. Com dois empates em dois jogos — incluindo o 0 a 0 diante da Bélgica —, a equipe chegou a dois pontos e manteve vivas as possibilidades de avançar à fase eliminatória da Copa do Mundo.

Após a partida contra os belgas, o técnico Amir Ghalenoei valorizou o desempenho de seus comandados e ressaltou as dificuldades enfrentadas desde a chegada ao torneio.

“Chegamos à Copa do Mundo nas piores condições possíveis. Ainda assim, conseguimos um resultado contra uma grande seleção e um grande treinador. Fizemos um belo jogo.”

Dentro e fora de campo, a seleção iraniana deixou sua marca em Los Angeles. Além de seguir na disputa por uma vaga na próxima fase, a equipe chamou atenção por uma mensagem que ultrapassou as fronteiras do futebol e defendeu valores de convivência, respeito e entendimento entre os povos.

 Carta deixada pela seleção iraniana no vestiário após empate contra a Bélgica (Photo: Federação Iraniana de Futebol / Telegram)


Postado em Brasil 247


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