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A simplicidade é o último degrau da sabedoria



Adriana Helena

Nesses dias, enquanto me recupero das lesões provocadas pela minha queda da bike, estive pensando sobre os gestos mais simples e a maneira de ser de cada um. Cheguei a uma conclusão: Geralmente as pessoas mais talentosas, em sua maioria, são as mais modestas, autênticas e humildes.

O que constatei? Que a simplicidade é nobreza de caráter. Portanto, atreva-se a ser SIMPLES! Ame as pessoas que tem o poder de tirar sorrisos apenas com sua simplicidade. Essas já conhecem o caminho da felicidade!

Não tem jeito, sempre será a simplicidade que me encantará... Gosto da simplicidade do “bom dia” pela manhã, do sorriso sincero ao encontrar-se com a pessoa amada, do barulho da chuva, de um dia na praia, do nascer do sol e do pôr do sol também... Gosto de olhar as estrelas, de abraço apertado, de surpresa sem data, de andar descalça por todos os lugares ...

A simplicidade de um bom dia pela manhã

De conversa fiada, de barulho de criança, de bicho e de planta. Gosto do silêncio de um olhar, do toque das mãos, de ouvir e cantar músicas freneticamente... Ahh ouvir música é uma bênção que você não tem ideia de como é maravilhoso... É o alívio da alma!

A música é o alívio da alma

Gosto de observar pinturas e todo tipo de arte, seja ela qual for, acho incrível como as pessoas tem o dom de criar e recriar coisas que normalmente passam desapercebidas. Eu gosto da calmaria, da rede balançando, da brisa do vento, dos segredos de amigos do coração, do almoço em família, da casa cheia, de comer e falar bobagem, de viajar, de ouvir histórias, de dar risada até doer a barriga. Gosto de amar e me sentir amada. Eu gosto é da simplicidade!

Eu gosto é da simplicidade

Então, como podemos ser mais simples? Ora, simplificando... rsrs 😅 Eu explico:

Simplificar significa evitar a complexidade e criar uma vida sem mistérios. Há uma diferença fundamental entre ser simples e ser simplório. Os simples resolvem a complexidade, os simplórios a evitam. Eu conheço pessoas sofisticadas, intelectualizadas, que levam uma vida plena, realizam trabalhos difíceis, apreciam leituras profundas e têm hábitos peculiares. E continuam sendo pessoas descomplicadas. É só seguir as palavrinhas mágicas:

As palavras mágicas

Temos que aprender que a vida é para ser simples e boa. Sem tanto rancor, sem tanta revolta, sem tanta disputa. Há muito para conhecer, há tanto para aprender, há inúmeras formas de trocar um pensamento ruim por um bom.

Só porque uma coisa não aconteceu da forma que você queria não quer dizer que ela não seja positiva e traga bons ensinamentos. Espere, respire, inspire, transpire, faça uma imersão nessa loucura, nesse desgaste, nessa dor, nessa onda forte. Depois você vai olhar para trás e perceber que sobreviveu, saiu mais forte, é valente, corajoso, tem fibra, garra e é capaz de superar qualquer dificuldade.

A felicidade está nas coisas mais simples

As pessoas essencialmente simples tem alguns traços em comum... Veja se você se reconhece em alguns deles.

As pessoas simples geralmente:

1. São desapegadas: não acumulam coisas, fazem uso racional de suas posses, doam o que não vão usar mais.

2. São assertivas: vão direto ao ponto com naturalidade, mesmo que seja para dizer não, sem medo de decepcionar, não “enrolam” nem sofisticam o vocabulário desnecessariamente.

3. Enxergam beleza em tudo: em uma flor no campo e em um quadro de Renoir; em uma modinha de viola e em uma sinfonia de Mahler; em um pastel de feira e na alta gastronomia.

4. Têm bom humor: são capazes de rir de si mesmas e, mesmo diante das dificuldades, fazem comentários engraçados, reduzindo os problemas à dimensão do trivial.

5. São honestas: consideram a verdade acima de tudo, pois ela é sempre simples e, ainda que possa ser dura, é a maneira mais segura de se relacionar com o mundo.

Ser simples, definitivamente, não é abrir mão de nada. É possível apreciar o conforto, a sofisticação intelectual, as artes, o prazer da culinária, a aventura das viagens e continuar sendo simples. Simplicidade é simplesmente Ser! A simplicidade captamos apenas em um olhar...

Captamos a simplicidade em apenas um olhar

Por isso que sempre digo que na simplicidade dos gestos , está a grandeza do amor porque os melhores momentos são os mais simples e inesperados!

E por falar em simplicidade já notou que as canções mais simples é que mais tocam o nosso coração? 💗Você conhece a música Summer Breeze da Banda Seals & Crofts? Se não, provavelmente já ouviu essa melodia, mas não está ligando a música à banda...

"Summer Breeze", de Seals & Crofts, destaca como momentos simples do dia a dia podem ser fontes de conforto e felicidade.

O verso “Blowing through the jasmine in my mind” (Soprando pelo jasmim na minha mente) não só remete ao aroma do jasmim, mas também sugere que as lembranças e sensações agradáveis do verão ficam guardadas na memória, funcionando como um refúgio mental após um dia cansativo.

Seals & Crofts

Jim Seals explicou que a inspiração para a música veio justamente dessa simplicidade: chegar em casa, ouvir o cachorro latindo, sentir o cheiro das flores e estar com quem se ama. Esses elementos aparecem de forma sutil e acolhedora na letra, reforçando o valor das pequenas alegrias domésticas.

A música enfatiza detalhes como o sorriso esperando na cozinha e o ambiente preparado para dois, mostrando que a felicidade está nos gestos cotidianos. O refrão repetido, “Summer breeze makes me feel fine” (A brisa de verão me faz sentir bem), transmite uma sensação de paz e bem-estar.

Com harmonias suaves, típicas de Seals & Crofts, a canção convida o ouvinte a valorizar o presente e a encontrar serenidade nas experiências mais simples da vida. E concluo com o pensamento célebre de Carlos Drummond de Andrade e te convido a entrar na magia da linda canção Summer Breeze...
"Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos".















A felicidade precisa servir para alguma coisa?


A inspiração para este texto veio de uma ideia do professor Clóvis de Barros Filho, no livro A Felicidade é Inútil. A ideia de que a felicidade não precisa servir para nada me chamou atenção justamente porque ela toca em uma questão que, de certa forma, já fazia parte da maneira como escolhi viver.

Há alguns anos, em uma roda de amigos, começamos a conversar sobre várias bobeirinhas da vida, coisas de casal, dinâmicas com filhos... e eu cada vez mais rígido com os "jogos sociais que eu não topo jogar". Entre provocações e risadas, falei que não fico levando ou buscando minha esposa nos lugares onde ela precisa ir, pois ela tem carro, dirige bem e tem independência para cuidar da própria rotina. Falei também que não fico insistindo para minhas filhas fazerem uma refeição ou estudarem, pois elas já são grandes, foram educadas para perceber suas próprias necessidades e aprenderam a cuidar delas. Mas eu não estava falando de distância, negligência ou falta de amor, mas de uma coisa que considero muito mais importante: independência.

Foi então que ouvi um: "Então você serve pra quê?"

Essa frase me atingiu de um jeito que talvez quem a pronunciou nem tenha percebido, mas não apenas pela pergunta em si, mas pelo que ela carregava. Eu não estou neste mundo para servir a ninguém, e da mesma maneira, não espero que minha esposa ou minhas filhas estejam neste mundo para me servir!

Não considero que uma pessoa tenha de possuir alguma utilidade, para que sua presença tenha valor. Não quero que minha esposa que precise de mim para fazer aquilo que é capaz de fazer sozinha, ou filhas dependentes para tomar decisões que já aprenderam a tomar. E, principalmente, não quero que elas confundam amor com obrigação, cuidado com dependência ou vínculo com servidão.

Isso não significa que não precisemos uns dos outros em muitos momentos, precisamos pois Somos seres humanos, e a vida é construída também através dos outros, mas apenas que existe uma diferença enorme entre precisar de alguém e escolher a utilidade de alguém.

Quando minha esposa está comigo porque quer estar, isso tem um significado completamente diferente de estar comigo porque precisa de mim.

Quando minhas filhas me procuram porque querem conversar, pedir ajuda, compartilhar alguma coisa ou simplesmente estar comigo, isso vale infinitamente mais do que se me procurassem porque não conseguem viver sem minha intervenção.

Foi nesse ponto que a ideia de Clóvis de Barros Filho começou a fazer ainda mais sentido para mim. 

Transformamos tantas coisas em instrumentos que passamos a acreditar que tudo precisa justificar sua existência através de alguma finalidade e quando fazemos isso com as pessoas, o problema se torna ainda mais grave. Começamos a perguntar o que alguém oferece, o que alguém produz, o que alguém proporciona, o quanto alguém é necessário... Como se uma pessoa pudesse ser avaliada pela sua utilidade.

Acho que algumas das coisas mais importantes da existência são justamente aquelas que não possuem uma finalidade além delas mesmas!

Vivemos sob a ditadura do "para quê?" e parece que quase tudo precisa ter uma finalidade... Estudamos para conseguir um diploma, trabalhamos para ganhar dinheiro, ganhamos dinheiro para conquistar segurança, buscamos segurança para finalmente podermos viver bem. O problema é que, nessa lógica, o valor das coisas está sempre fora delas, o estudo vale pelo diploma, o diploma pelo emprego, o emprego pelo dinheiro, o dinheiro por aquilo que podemos comprar com ele, e assim o presente se transforma apenas em um caminho para chegar a algum lugar que nunca é agora.

Quando uma coisa é útil é porque ela serve para outra coisa! Um veículo vale porque nos leva a algum lugar, um remédio porque combate uma doença, uma ferramenta porque realiza um trabalho... Sua utilidade está justamente em produzir algo além de si mesma.

Mas existem coisas que não precisam servir para nada, tipo, uma música, um abraço, uma conversa, uma paisagem, o prazer de estar com alguém que amamos, um momento de silêncio... Elas não são meios para alcançar outra coisa, elas simplesmente possuem valor em si mesmas. E a felicidade pertence a essa categoria!

Ninguém pergunta seriamente "ser feliz para quê?", porque a própria pergunta revela o absurdo, se a felicidade precisasse servir para alcançar outra coisa, ela deixaria de ser felicidade e se tornaria apenas mais uma ferramenta. A felicidade é perfeitamente inútil, e essa é justamente a sua grandeza. Ela não precisa produzir nada, justificar nada ou conduzir a lugar algum, basta ser vivida.

Talvez tenhamos esquecido disso porque transformamos a vida inteira em uma sequência de objetivos. Estudamos para trabalhar, trabalhamos para ganhar dinheiro, ganhamos dinheiro para ter liberdade, buscamos liberdade para aproveitar a vida, mas quando finalmente temos tempo para aproveitá-la, já estamos planejando o próximo objetivo. 

A vida vai sendo adiada enquanto acreditamos estar preparando as condições para vivê-la. Podemos passar anos tentando descobrir o que precisamos melhorar, corrigir ou desenvolver, como se existir fosse um projeto permanente de aperfeiçoamento.

Melhorar é importante sim, mas existe um momento em que precisamos parar de perguntar "como posso me tornar melhor?" e perguntar simplesmente "consigo estar comigo mesmo sem precisar me transformar em outra pessoa?".

Não se trata de abandonar a ambição, o trabalho ou a busca por resultados, pois precisamos de objetivos, dinheiro, conhecimento... mas nenhuma dessas coisas deveria ocupar o lugar da própria vida. O dinheiro é útil, o trabalho é útil, o conhecimento é útil, mas a felicidade não precisa ser útil.

Uma tarde tranquila não precisa aumentar sua produtividade, uma conversa não precisa gerar uma oportunidade, uma caminhada não precisa produzir um benefício, e um domingo não precisa servir à segunda-feira.

Talvez uma das maiores formas de liberdade seja recuperar o direito de fazer algumas coisas simplesmente porque queremos fazê-las, sem transformar tudo em investimento. Ler sem precisar aprender, caminhar sem precisar chegar, conversar sem precisar resolver, amar sem precisar possuir, descansar sem precisar merecer.

"A vida boa é assim, perfeitamente inútil, porque vale por ela mesma".  Clóvis de Barros

Há uma parte da existência que não precisa produzir absolutamente nada e talvez seja justamente essa parte que mais importa.

Porque todos nós, um dia, precisaremos parar. O pai que sempre resolveu tudo, a mãe que cuidou de todos, a professora que ensinou gerações, o profissional indispensável. O corpo envelhece, a força diminui e chega o momento em que já não podemos subir no telhado, consertar o carro ou resolver os problemas de todo mundo. E esse dia não pode ser o fim do nosso valor.

Se construímos nossa identidade apenas naquilo que fazemos pelos outros, o envelhecimento pode parecer uma espécie de desaparecimento. Por isso precisamos aprender, enquanto ainda somos úteis, a construir também aquilo que permanece quando a utilidade termina: afeto, amizade, presença, caráter, histórias e vínculos.

Você não é uma ferramenta. Não precisa justificar sua existência pelo que produz, pelo que conquista ou pelo quanto consegue ser útil aos outros. Um dia você poderá simplesmente parar, descansar e ser simplesmente amado.








O segredo da felicidade revelado por Chico Xavier

 











A princípio bastaria ter . . .



A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. 

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida, o cinema, o teatro: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. 

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. 

Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. 

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. 

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. 

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. 

Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. 

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. 

Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade. 

Antônio Abujamra






Desejo de Natal



Antes de você perceber Jesus nas luzinhas que piscam pela cidade, você O encontre primeiramente em seu coração.

E, à frente de qualquer palavra que expresse seu desejo de um feliz Natal, O encontre em suas ações.

Que você O encontre não só na alegria que sente ao sair das lojas com presentes para as pessoas que você ama, mas também na feição triste da criança abandonada nas ruas, na qual muitas vezes você esbarra apressadamente.

Que você encontre Jesus no momento em que pegar nas mãozinhas delicadas de seu filho, lembrando-se das mãozinhas pedintes, quase sempre sujas de calçada, que só sabem o que significa rudeza.

Que você O encontre no abraço de um amigo, lembrando-se dos tantos que só têm a solidão como companheira.

Que você O encontre na feição do idoso da sua família, lembrando-se daqueles que tanto deram de si a alguém, e hoje são esquecidos até pela sociedade.

Que você O encontre na lembrança suave e sempre viva daquela pessoa querida que já não está mais fisicamente ao seu lado, lembrando-se daqueles que já nem se recordam mais quem foram, enfraquecidos pelo vazio de suas vidas.

Que você encontre Jesus na bênção de sua mesa farta e no aconchego de sua família, lembrando-se daqueles que mal se alimentam do pão e nem sequer um lar têm.

Que você O encontre não apenas no presente que troca, mas principalmente na vida que Ele lhe deu como presente.

Que você se lembre, então, de agradecer por ser uma pessoa privilegiada em meio a um mundo tão contraditório.

Que você também encontre Jesus à meia-noite do dia 31 e sinta o mistério grandioso da vida, que renasce junto com cada ano.

Então festeje… festeje o ano que acabou não apenas como dias que se passaram, e sim como mais um trecho percorrido na estrada da sua vida.

Festeje a alegria que lhe extasiou e a dor que lhe fez crescer.

Festeje pelo bem que foi capaz de fazer e pelo mal que foi capaz de superar.

Festeje o prazer de cada conquista e o aprendizado de cada derrota.

Festeje por estar aqui. 

Festeje a esperança no ano que se inicia, no amanhã.

Festeje a vida !

Abra os braços do coração para receber os sonhos e expectativas do ano novo.

Rodopie… jogue fora o medo, sinta a vida.

Sonhe, busque, espere… ame e reame.

Deixe sua alma voar alto… pegar carona com os fogos coloridos.

Mentalize seus desejos mais íntimos e acredite: eles também chegarão ao céu.

Irão se misturar com as estrelas, irão penetrar no Universo e voltarão cheios de energia para se tornarem reais.

Basta você querer de verdade, ter fé e nunca, nunca desistir deles.

E que seu ano seja, então, plenificado de bênçãos e realizações.

Feliz Natal !






2 de Novembro, Dia de Finados, mas prefiro chamar de Dia da Saudade

 








Hoje é dia de finados. Ou melhor, hoje é dia da saudade. Da saudade e da gratidão…

♬ som original - Gabriel Chalita

 



Não existe dia ruim



Fabrício Carpinejar

Não existe dia ruim. Sempre há chance do dia ser feliz. Mesmo que seja tarde. Mesmo que seja de madrugada. Uma gentileza salva o dia. Um bife milanesa salva o dia. Uma gola branca e engomada salva o dia. Uma emoção involuntária salva o dia. Nunca o dia está inteiramente perdido. Não devemos acreditar que uma tristeza chama a outra, que se algo acontece de errado tudo então vai dar errado. Lei de Murphy não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.

Confio no improviso, na casualidade, no movimento das cortinas na janela. Até o último minuto antes da meia-noite, você pode resgatar o contentamento. É uma gargalhada do filho diante da papinha, transformando a cadeira num imenso prato. É algum amigo telefonando para confessar saudade. É sua mulher procurando beijar a orelha mandando sinais de seu desejo. É o barulho da chuva na calha, é o estardalhaço do sol na varanda. É encontrar – iniciando na tevê – um filme que adora e já assistiu cinco vezes. É oferecer colo ao seu gato. É planejar uma viagem de férias. É terminar um livro que abandonou pela metade. É ouvir sua coleção de LPs da adolescência. É comprar uma calça jeans em promoção. É adormecer no sofá e receber a coberta silenciosa de sua companhia. É a possibilidade feminina de passar um batom e pintar as unhas. É possibilidade masculina de devolver a bola quando ela sobe a cerca num jogo de crianças A felicidade é pobre. A felicidade precisa de apenas um abraço bem feito.

Sigo esperançoso. Não coleciono tragédias. Sofro e apago. Sofro e mudo de assunto, abro espaço para palavras novas, para lembranças novas. Vejo o esforço da abelha tentando sair do vidro, e não sou melhor do que ela. Vejo o esforço da formiga carregando uma casca de laranja, e não sou melhor do que ela. Viver é esforço e nos traz a paz de sonhar – querer não fazer nada é que cansa. Não existe dia que não ganhe conserto. Não existe dia morto, dia de todo inútil. Não desista da alegria somente porque ela se atrasou. Pode ter recebido esporro do chefe, ainda assim a hora está aberta. Comer um picolé de limão é capaz de restituir sua infância. Não encerre o expediente com o escuro do céu. Pode não ter grana para pagar as contas e ter que escolher o que é menos importante para adiar, ainda assim é possível se divertir com o cachorro carregando seu chinelo para o quarto.

Quando acordo com o pé esquerdo, sou canhoto. Não existe dia derrotado.






Os avós : um tesouro que beneficia a todos



Você já parou para pensar no peso que os avós têm em muitas famílias? São figuras que sabemos que estarão sempre lá, e a verdade é que a ajuda que prestam é inigualável. Por este lado, os benefícios que trazem para os netos e pais vão muito além do que somos capazes de reconhecer.

Na verdade, seu papel não é fundamental apenas na família. Como sociedade, também somos beneficiados pela participação dos avós e pelos vínculos que são criados e fomentados graças a eles… Neste artigo nos aprofundaremos em tudo que os avós podem nos trazer.
“Todo mundo precisa ter acesso a avós e netos para ser um ser humano completo”.
– Margaret Mead –
Benefícios psicológicos dos avós para os pais

Há pouco tempo, o normal era que o pai se dedicasse ao trabalho fora de casa e a mãe a tudo o que estava relacionado com as tarefas de casa. Felizmente, hoje em dia esses papéis mudaram, de forma que tanto papais quanto mamães estão imersos no mundo de trabalho e também no doméstico.

O caso é que, devido a isso, é muito difícil que a soma do tempo que os dois dedicam possa se equiparar à quantidade de tempo que antes as mães dedicavam. Nestas circunstâncias, muitos avós ajudam e ficam com os netos naqueles momentos em que nenhum dos pais está disponível. Além disso, estes ficam tranquilos, já que seus filhos dificilmente poderiam estar em melhores mãos.

Além de ser um apoio de confiança para os pais, também podem dar conselhos vindos da experiência, especialmente quando surgem dúvidas na educação dos filhos, e ter empatia nas dificuldades do dia a dia. Por último, não podemos esquecer o valioso papel de mediadores naqueles conflitos que podem surgir no ambiente familiar.
“Os avós, assim como os heróis, são tão necessários para o crescimento das crianças quanto as vitaminas”.
– Joyce Allston –
Benefícios psicológicos dos avós para os netos

Como netos, os que puderam desfrutar de sua companhia são conscientes da impressão que deixam. Esta não é apenas nossa sensação subjetiva, e sim fatos que têm um respaldo objetivo. Por um lado, os avós não têm que ser tão rígidos com as normas e os limites como os pais, por isso o tempo que passam com os netos se centra mais no desfrute.

Assim, quando estão com os avós, os netos recebem os dois presentes que mais valorizam e estimulam seu crescimento: atenção e tempo. Eles se sentem cômodos e ouvidos, ao mesmo tempo em que se divertem brincando com pessoas que os amam. Por outro lado, o contato com os avós fomenta valores, como o respeito e a consideração com a experiência.

Além disso, os benefícios não terminam na infância. Foi comprovado que adultos que puderam desfrutar de seus avós na infância desenvolvem habilidades sociais e emocionais de forma mais eficaz e adaptada. Isso lhes permitiu desenvolver mais e melhores vínculos afetivos e ter uma vida social mais saudável e feliz.
“Certamente uma das experiências mais satisfatórias da vida é ser neto ou ser avô”.
– Donald A. Norberg-
Benefícios psicológicos para os avós

Os netos e os pais não são os únicos a apreciar esta relação especial; os próprios avós também colhem os benefícios. Graças ao desempenho deste papel, eles se sentem úteis, valorizados e ocupados, por isso apresentam uma melhor autoestima do que outras pessoas de sua idade que não têm netos ou contato direto com eles.

Como seus netos quando estão com eles, os avós também se sentem atendidos e ouvidos nestes momentos, já que os pequenos costumam estar interessados nas histórias familiares e de juventude que eles contam. Desta maneira, os laços familiares são fortalecidos.

Mas não é só isso, as relações com os netos também provocam nos avós a motivação para aprender coisas novas e usar as novas tecnologias. Ou seja, os mantêm atualizados. Como dissemos, os avós são um bem único e muito apreciado que beneficia todos os membros da família… Aproveite a companhia deles!


 Laura Reguera
Psicóloga clínica especializada em inteligência emocional e intervenção nas emoções. Participou em congressos nacionais e internacionais, também em programas de voluntariado do Colégio Oficial de Psicologia de Madrid. Atua como psicóloga clínica em consultório particular e como professora e tutora na UNED.


 




Vovó molhando as plantinhas e Vovô ensinando pelo exemplo e sabedoria e com muito afeto e amor envolvido !


Feliz 2024 !




Feliz Ano Novo

Não é estranho?

Passar todos os dias do ano, 365 dias esperando pra renovar sua esperança, 52 semanas de expectativa aguardando o futuro.

Me questione, mas é um ano novo, tudo novo. Mas amanhã também não é um dia novo? Outro mês também não é um mês novo? Ou até mesmo a semana que vem não é inédita? 

Pra que esperar todo esse tempo para ter esperança por algo melhor, para aquecer uma paixão, para tentar um novo amor, para procurar emprego, para parar de fumar. Ano Novo é somente um ano novo, nada de mais, porque não podemos fazer isso em um dia novo, uma semana nova ou até mesmo em uma hora nova?

Se na passagem do ano vários problemas somem, pessoas chegam a chorar, é tudo muito emocionante. Ano Novo, vida nova. Vamos começar de novo, mais um ciclo, mais uma volta em torno do sol. E daí? 

Tente fazer isso todo dia, renove sua esperança a cada volta da Terra em torno do seu próprio eixo, renove sua vida a cada noite, durma uma pessoa e acorde outra. Nada é tão bom quanto a emoção do novo, tente isso todo dia!



E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano

Hoje começa para mim um ano novo. Engraçada essa sensação que nos causa as datas, os marcos, são pontos e vírgulas que nos refazem as forças.

São inúmeros os erros cometidos nesse frenesi de tentar acertar, mas cada erro nos traz uma lição valiosa, cada tombo traz consigo o levantar, cada despedida traz a saudade que nos motiva a continuar em nome do reencontro.

Tantas coisas mudam e acontecem em um ano que chega a ser assustador, quantas pessoas chegaram e quantas partiram.

Já não sou mais a mesma de ontem, mesmo o ontem estando a mesma distância do amanhã. Pois cada um que chegou, me entregou um pedaço de si mesmo e cada um que partiu levou um pedaço de mim.

Sou as músicas, que ouvi, os livros que li, as viagens que fiz, os segredos que guardei e os que os outros guardaram de mim, sou a lágrima que não caiu, sou o sorriso, sou a consequência.

E assim como eu, o mundo encontra-se em constante metamorfose, e mesmo aqueles que chegaram, e escolheram fazer ninho ao invés de voar, ainda esses já não são mais os mesmos, e a cada mudança me dão uma parte de si, sou o passado de todos que ficaram, de todos que partiram, sou presente de todos que ficaram. Como uma colcha de retalhos, e cada pedaço de mim tem uma história para contar.

Sim, estou em pedaços, pois já não sou somente eu a viver em mim, sou a somatória das minhas histórias, das minhas escolhas, sou eu e minhas circunstâncias, sou eu e o que fiz da dor, sou eu e o que fiz do amor, e dos amores, somos nós, assim qual como retalhos, a meta para esse “ano novo” é ter coragem para rasgar todos os pedaços que me fazem mal e coragem para caminhar costurando bons retalhos em mim, mas sobretudo peço a Deus que me ajude, a meta é ter sabedoria para distinguir a diferença entre os que devem ser rasgados e os que devem ser costurados, reside aí a chave da colcha que serei daqui a um ano.

Aprendi muito.

Já sei que não devo ter medo, pois costurar irá doer tanto quanto rasgar.

Já sei que tenho várias respostas hoje sem falsa modéstia; mas com humildade sei também que amanhã a vida virá e mudará todas as perguntas.

Já sei que nada além da minha alma é eterno, e que tudo que representa para mim hoje o infinito vai acabar, vai mudar de lugar, vai deixar de ser, vai partir.

Já sei que a inércia é uma ilusão dolorida, ela não existe, a vida movimenta-se e nos move, mesmo quando cada fibra do nosso ser quer ficar parada onde está.

Por isso aproveito o momento, não sei e não tenho controle de quantos momentos durará esse momento que tanto afago e quero eternizar, por isso como disse o poeta que seja infinito enquanto dure.

Já sei que é um erro dizer que não deu certo, não importa o que seja, se o casamento acabou, se o emprego mudou, se a amizade não faz mais sentido, deu certo, sim, enquanto me fez bem, e agora faz parte do que sou.

Já sei que o tempo não tem a menor a importância, a intensidade é muito mais importante, há pedaços na minha colcha que foram costurados em um dia; e outros que levaram anos.

Já sei que esse mesmo tempo não cura absolutamente nada, porcaria nenhuma! A cura sou eu e eu também sou a doença que consome e corrói, é a minha postura, minhas atitudes.

Já sei que não adianta procurar amor materno pelo mundo, o amor pleno que perdoa, que acolhe, que alimenta, que protege, se tivemos sejamos gratos; se ainda tem... puxa, se ainda tem é uma pessoa de sorte; mas se não teve, aceite, siga em frente. Não procure o divino no mundano, é perda de tempo.

Já sei que não reside pecado no erro, o erro mora no lugar onde decidimos o que fazer com ele; não é um descaminho, é parte da história.

Já sei que a culpa não é boa conselheira, sejamos francos, ninguém é só anjo, ninguém é só demônio, somos tudo, e cada um tem lado de nós, não por deliberação, mas por condições foi o melhor, sim, não o nosso melhor, mas o que tínhamos naquele momento para dar.

Já sei que não adianta tentar copiar outro, viver em mim com consciência e respeito aos meus defeitos e das minhas qualidades é o único jeito que tenho de existir, do contrário não seria eu.

Já sei que os opostos podem até se atrair, mas não ficam juntos.

Já sei que palavras são as lâminas do mundo subjetivo e estraçalham tanto quanto.

Já sei da importância dos silêncios e que é inútil preencher com sons esses silêncios e com pessoas as ausências, somente assim posso me ver, me ouvir, é necessário, e não é solidão, é a presença de mim mesma em mim.

Já sei que não importa o quanto eu gaste no salão, o dia que estarei mais bela é aquele em que estou mais feliz, a beleza é energia que irradia além da matéria, de dentro pra fora.

Já sei que a tristeza duradoura causa doenças no corpo, para as quais não existe remédio, ao menos não aqui fora, vieram de dentro e é lá e somente lá que podem ser curadas.

Já sei que algumas pessoas morrem um pouco a cada cotidiano, outras morrem nas exceções, a mim, cabe saber que tipo sou.

Na real, sem meias palavras, eu sei que esse ano trará dor, mudanças, como são todos os anos, sei que vou ferir muita gente e que alguns vão me magoar, mas sei que também que virão sucessos, e vitórias e haverá muitos momentos felizes, sei que vou chegar e que irei embora, sei que me odiaram, que lembram de mim com saudade em algum lugar, que vão me amar, sei que falta muito entre o como você me vê e o que sou.

Mas o que importa é que entre o costurar e o rasgar, serei grata infinitamente, pois tudo isso será o que serei, e já não vou ser mais o que agora sou. Conquiste a verdadeira vitória, com fé e esperança, costurando e regando com atenção, parando em pequenas frações de segundos apenas suficientes, para descansar, sim, mas somente será permitindo quando souber a diferença entre o parar por cansaço e o parar por querer desistir.

Posso desistir de tudo, a qualquer momento, exceto de mim mesma, pois aí reside toda indecência, é imoral desistir de mim.

Não tenho certeza de nada, e isso é bom. A sabedoria começa com dúvida, e o não saber me permite voltar atrás, mudar de ideia, sou eu assim... um ser humano em construção!

Porque tudo que queremos nos humanos é ser humano, e isso custa caro, leva tempo, por isso, a cada 1 ano, recebemos 365 páginas em branco para escrever nossa história.
“O homem que começa, não é o mesmo termina; pois o caminho nos transforma; E no fim é a viagem que faz o viajante.”   Lika Christina


Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.