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O excesso que nos esgota e o silêncio que nos falta



Vivemos uma era em que o “mais” virou métrica de valor; mais informação, mais produtividade, mais conexões, mais estímulos. No entanto, paradoxalmente, o que se nota é que, quanto mais as pessoas acumulam, menos inteiros se sentem. Muitos relatam um ruído constante, quase ensurdecedor, que provoca ansiedade extrema e compromete algo essencial: a capacidade de elaborar, de sentir, de se relacionar.

A psicanálise já nos alertava sobre isso muito antes da avalanche digital. Em Relações de Objeto, autores como Melanie Klein e Donald Winnicott mostram que o desenvolvimento emocional saudável depende da qualidade das relações e da capacidade de simbolizar experiências. Quando há excesso, especialmente de estímulos não elaborados, o psiquismo não acompanha e se defende, fragmenta ou simplesmente se desliga. E é exatamente isso que vemos hoje, especialmente entre crianças e adolescentes. Excesso de telas, de conteúdos, de comparações. Uma geração hiperconectada, mas emocionalmente exausta. E, em muitos casos, o acúmulo sequer é de conhecimento, mas de dados desconexos, muitas vezes imprecisos, que confundem mais do que esclarecem.

No ambiente corporativo, o cenário não é muito diferente. O excesso de trabalho, travestido de alta performance, vem sendo naturalizado como virtude. Agendas lotadas, respostas imediatas, produtividade contínua. Mas a conta chega, em forma de ansiedade, conflitos interpessoais e esgotamento.

A psicanálise chama atenção para um ponto crítico, o excesso pode funcionar como defesa. Trabalhar demais pode ser fuga. Informar-se compulsivamente pode ser uma tentativa de evitar o contato com o próprio vazio. Estar sempre ocupado pode ser uma estratégia inconsciente para não sentir. E aqui está um risco silencioso, confundir movimento com evolução. O caminho não está na negação do progresso, mas na reeducação do uso. Ensinar a pausar, a filtrar, a escolher. Descansar passa a ser competência. Não apenas descanso físico, mas também descanso mental, aquele que permite ao pensamento respirar, à criatividade emergir, à subjetividade se reorganizar. Se esse vazio o consome, lembre-se: menos acúmulo, mais sentido; menos pressa, mais presença. Porque, em essência, não é o excesso que nos preenche, e sim a consciência do que realmente importa que nos integra.






Em terra de egos, quem vê o outro é rei



Em muitos momentos da vida, por diversos motivos, é possível sentir-se fraco e vulnerável. A vida apresenta situações difíceis, e muitas pessoas, incapazes de lidar com suas próprias dores, despejam sobre os outros suas frustrações.

Quem se sente inferior tenta inferiorizar.

Quem é inseguro quer deixar o outro inseguro.

Quem carrega feridas na autoestima tenta ferir a autoestima alheia.

Quem se percebe inadequado busca tornar o outro inadequado.

Quem sente raiva de si mesmo também tenta provocar raiva nos demais.

E quem não acredita no próprio valor tenta convencer o outro de que não tem valor nenhum.

Essas distorções emocionais começam cedo: competições desnecessárias, comparações absurdas e pressões impostas às crianças moldam inseguranças que se estendem por toda a vida.


Nada disso é saudável. Pelo contrário, cria-se uma verdadeira areia movediça emocional, da qual só se escapa com consciência e maturidade. É possível trabalhar essas questões de maneira saudável e terapêutica. Buscar ajuda não é fracasso nem derrota — é sinal de inteligência.

Atacar os outros porque não se sente bem não melhora a própria vida.

É preciso um olhar mais amplo e menos medíocre para o humano. Não se trata de poder, nem de provar quem é “melhor”. A aparência de força pode até impressionar, mas é vazia quando, internamente, a pessoa se sente frágil. E o emocional conta — conta muito — e, quando negligenciado, causa grandes estragos.

O ser humano precisa evoluir. É urgente abandonar competições ridículas que inflam egos e esvaziam o coração. Quando alguém começa a se curar, abre espaço para relações mais saudáveis, seja na amizade, seja na parceria.


“Cresçam e apareçam” — emocionalmente.

Quem não cresce por dentro permanece na infância emocional e, em vez de construir, destrói tudo ao redor, inclusive a si mesmo.

A vida pode ser mais leve e saudável quando construída sobre sentimentos equilibrados e menos egos inflamados. As dores diminuem quando olhamos o outro com empatia, afeto e cordialidade. Não é atacando que se cura a própria ferida.

Olhe para o outro como gostaria que olhassem para você.

O ego é vazio e solitário. O que realmente transforma é o valor humano: cuidado, afeto, presença, ética e respeito pelo coletivo. Isso, sim, gera cura, fortalece vínculos e transforma relações.

“Gentileza gera gentileza.”