Oi amigos queridos! Depois de um tempinho retorno ao blog com dicas inéditas de exercícios e começo com a corrida, que é uma das minhas atividades físicas rotineiras. Não digo ser a mais importante porque o ciclismo arrebatou o meu coração há dois anos e tornou-se o meu foco principal.
Mas como já tem um certo tempo que eu praticava corridinhas e trotes poderei ajudá-lo(a) a iniciar a prática deste belíssimo esporte. Para o iniciante, manter o fôlego na corrida é um desafio. Os primeiros treinos parecem exaustivos. No entanto, algumas orientações fáceis de seguir ajudam o corredor a conseguir um bom ritmo de forma mais tranquila. Veja abaixo essas dicas e sinta a diferença nos treinos. Pode confiar! 👍
1- Faça um exame físico antes de começar
Se estiver sedentário, procure seu médico e faça um exame completo, verifique seu coração e sua saúde em geral para saber se tudo está tranquilo antes de iniciar a corrida, pois o esforço será mais intenso no início.
2- Alimente-se bem, você precisa estar forte!
Consuma carboidrato entre 60 e 30 minutos antes do exercício. É fundamental que seu corpo tenha energia no momento certo. Eu costumo comer um pão integral, iogurte com cereais e mel e ovos antes de correr. Ah, e é claro, uma banana para não ter cãibras. 😅
3- Escolha um lugar agradável
Não é tarefa fácil acordar cedo ou sair para treinar depois de um longo dia. A escolha do lugar do treino é, portanto, fundamental. Treinos ao ar livre são mais prazerosos, então corra em um parque, no calçadão da ou em um bairro tranquilo e arborizado.
4- Use roupas leves e acessórios apropriados para a corrida
Nada mais motivante do que correr com uma roupa fresquinha, linda e colorida. Ficamos mais animados. O tênis também é muito importante, pois precisa ser leve e confortável. Existem versões ótimas no mercado à sua escolha. e com preços bem convidativos. Não se esqueça de passar protetor solar e usar viseiras para amenizar o sol que incide nos olhos, além de óculos escuros. Eu adoro correr com roupas coloridas, como o amarelo e o laranja, pois são cores que são mais bem visualizadas à distância pelos carros e ciclistas e assim, corro menos risco risco de ser vítima de atropelamento. Mas no calçadão e na areia que é mais seguro, podemos optar por roupas mais escuras desde que sejam bem leves!😃
Um tênis confortável e roupas frescas é o que basta para você começar
4- Realize um aquecimento
Antes de começar qualquer atividade física, tenha em mente que o aquecimento é um diferencial, tanto na prevenção de lesão como para manter o fôlego. “O aquecimento produz uma temperatura muscular mais alta, maior disponibilidade local de oxigênio para o músculo e um consumo mais alto de oxigênio durante a fase inicial do exercício”, explica o treinador João Povoa.
6- Comece devagar
Comece a corrida de forma tranquila, aumentando a velocidade só depois de sentir mais confiança. “Faça de forma leve os 10 ou 15 minutos iniciais no treino. Nosso corpo passa por várias adaptações nesse período que nos deixam mais preparados para o exercício, mantendo o fôlego por mais tempo”, indica o treinador. Aqui tem o vídeo da minha corridinha bem suave ...😄
7- Tenha postura
Mantenha a cabeça ereta, atenção aos braços, posição das pernas e postura – não deixe suas mãos levantarem mais do que a altura do peito e não tensione tanto os punhos e nem os ombros. Os braços podem ajudar na hora de correr (ou atrapalhar). Se for correr em uma subida, não se incline demais. Além disso, aumente o número de passos: quanto mais íngreme for a subida mais curta deve ser sua passada.
8- Pés no chão
Se você está começando a correr, fica mais fácil aprender a correr corretamente . Comece a correr pisando com o meio do pé primeiro, não com o calcanhar. Quando acostumamos nosso corpo a correr com o calcanhar primeiro, fica mais difícil “consertar” a passada depois.
9- Velocidade certa
“Tenha em mente sua velocidade de equilíbrio. Existe uma velocidade em que é possível sustentar o seu esforço por mais tempo. Correr acima da velocidade do seu limiar anaeróbio fará com que seu fôlego diminua rapidamente”, esclarece o treinador.
Uma pesquisa já comprovou que, em alguns casos, nós mulheres somos mais rápidas que os homens na corrida, porque conseguimos manter um ritmo do começo ao fim e não “quebramos” no meio da prova. Por isso, manter uma velocidade constante é o mais indicado.
Corra no seu tempo sem pressa porque você não está competindo
com ninguém
10- Não abuse nas passadas
“Economize a cada passada. Correr com uma boa mecânica, movimentando os braços e com pouco contato com o solo, gera um ganho de desempenho”, conta João Povoa. Mantenha um equilíbrio com as suas passadas e preste atenção enquanto corre. Isso ajuda a melhorar a biomecânica, fazendo com que o corredor não perca o fôlego. Corra levemente e suavemente ...😁
11- Respeite os limites do corpo
Não faça um treino mais forte do que aguenta. Lembre-se de que você está em um período de adaptação. No começo, o ideal é alternar trotes leves com caminhada. Vá aumentando aos poucos o tempo de corrida e reduzindo o de caminhada até conseguir trotar durante toda a distância que é sua meta.
12- Ajuste sua rotina
Mantenha um horário parecido de treino. Isso fará com que seu organismo se acostume mais rápido. E se for treinar pela manhã, durma um pouco mais cedo do que de costume (e deixe as roupas separadas para o dia seguinte para vencer a preguiça com maior facilidade).
13- BÔNUS - UPSIDE DOWN de Jack Johnson
Jack Johnson é muito talentoso
E é claro que eu não deixaria que fosse embora sem ver a última dica motivante para a sua corrida: Ouvir boa música! Sim, nada melhor do que correr ouvindo suas canções prediletas. Aqui no blog sempre compartilho as minhas Playlists. Se quiser dar uma olhadinha é só CLICAR AQUI .
E agora fique com o vídeo especial que preparei para você começar a correr sem medo. É a música mais motivante para você virar o seu mundo de cabeça para baixo e começar a correr como louco...rsrs
Upside Down é a canção mais incrível do cantor havaiano Jack Johnson, sucesso arrebatador do ano de 2006 e que fez parte da trilha do desenho George, O Curioso.
Jack não para aí nas trilhas sonoras, além da música, o cantor é apaixonado por surfe – por sinal é um grande surfista - já produziu curtas metragens/documentários, como por exemplo “September Sessions”, “Thicker than Water”, “A Brokedown Melody”, sobre o esporte e ele mesmo criou toda a trilha sonora de todos eles, além de dirigi-los.
Para quem curte, não só o surfe, mas uma fotografia espetacular, vale a pena conferir. Eu fiz esse clipe para motivar os praticantes de corrida, afinal HOJE é o dia certo para começar! Vamos? 👊 FELIZ 2026!
Inspiração: Ativo.com e imagens do meu arquivo pessoal e do Google
Filme Carruagens de Fogo de 1981. Foi um grande vencedor no Oscar de 1982, levando quatro estatuetas, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora Original (de Vangelis) e Melhor Figurino, além de ter sido indicado a mais três categorias, destacando-se por sua história real de dois atletas britânicos nas Olimpíadas de 1924 e sua icônica trilha sonora.
Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Todo dia é ano novo
Todo dia é ano novo
Entre a lua e as estrelas
num sorriso de criança
no canto dos passarinhos
num olhar, numa esperança...
Todo dia é ano novo
na harmonia das cores
na natureza esquecida
na fresca aragem da brisa
na própria essência da vida.
Todo dia é ano novo
no regato cristalino
pequeno servo do mar
nas ondas lavando as praias
na clara luz do luar...
Todo dia é ano novo
na escuridão do infinito
todo ponteado de estrelas
na amplidão do universo
no simples prazer de vê-las
nos segredos desta vida
no germinar da semente.
Todo dia é ano novo
nos movimentos da Terra
que gira incessantemente.
Todo dia é ano novo
no orvalho sobre a relva
na passarela que encanta
no cheiro que vem da terra
e no sol que se levanta.
Todo dia é ano novo
nas flores que desabrocham
perfumando a atmosfera
nas folhas novas que brotam
anunciando a primavera.
Você é capaz, é paz
É esperança
Todo dia é ano novo
no colorido mais belo
dos olhos dos filhos seus...
Você é paz, é amor, a alegria de Deus.
Não há vida sem volta
e não há volta sem vida
no ciclo da natureza
neste ir e vir constante
No broto que se renova
na vida que segue adiante
em quem semeia bondade
em quem ajuda o irmão
colhendo felicidade
cumprindo a sua missão.
Todo dia é ano novo... portanto... feliz ano novo todo dia!
As ruas estão mais iluminadas, as lojas cheias de enfeites, as árvores já foram montadas e novamente, há a correria atrás dos presentes e dos preparativos para a ceia.
Algumas pessoas adoram essa época. Esbanjam alegria e saem distribuindo sorrisos e presentes.
Outras enfrentam certa melancolia. Ficam a pensar sobre os acontecimentos que ocorreram em sua vida, durante o ano que está terminando.
Mas e a verdadeira reflexão sobre o Natal? Onde fica?
É difícil responder.
Nos preocupamos tanto com o sucesso, com o dinheiro, com presentes caros que, nessas horas, é difícil entender o verdadeiro significado do Natal.
Vivemos num mundo repleto de valores materiais, onde a cada dia, as pessoas adoecem por stress, depressão e tantas outras doenças.
E o que dizer da violência? Saímos das nossas casas, com sem saber se retornaremos...
A angústia parece aumentar a cada dia e o tempo parece passar cada vez mais rápido.
Parece que foi ontem, que ainda guardávamos os enfeites de Natal e hoje já estamos novamente no clima natalino.
Sim, a vida passa muito rápido.
E temos muitos desejos, muitos presentes que gostaríamos de ganhar.
E na maioria das vezes, passamos horas reclamando pelo que ainda não temos e esquecemos de agradecer pelas coisas que realmente importam.
Almejamos a felicidade, mas só espalhamos a discórdia.
Rezamos para que nossas dores passem, mas teimamos em negar o perdão.
Aí, o tempo passa, mais um Natal chega e para muitos, fica aquela sensação de vazio.
E como costumo dizer: é tão fácil Ter, porque Ser requer reflexões.
É tão fácil deixar de acreditar, porque crer requer fé.
E é tão fácil encontrar pessoas a dizer que não curtem o Natal, porque entrar no espírito natalino, requer Amor.
E o Amor é um sentimento tão em falta.
Mas nada é impossível.
Podemos preencher o vazio da alma, nos alegrar, curtir a festa e descobrir que o Natal é o nascimento de Jesus Cristo, que prometeu que sempre estaria ao nosso lado.
Sim, podemos fazer um Natal diferente.
Basta que descruzemos nossos braços e passemos a semear o Amor por onde passarmos.
Especialista espanhola explica como Austen criou um “manual de inteligência emocional” que dura séculos através das personagens de seus livros e capturou o que ninguém via: a vida cotidiana como uma grande aventura.
Publicado 15 de dez. de 2025, 16:49 BRT, Atualizado 17 de dez. de 2025
O que faz um clássico se tornar um clássico? Essa alquimia de relevância artística e atemporalidade segue um mistério, mas não no caso da escritora inglesa Jane Austen. A importância da autora de “Orgulho e Preconceito” e “Razão e Sensibilidade" parece só aumentar – e a cada 16 de dezembro, data de seu aniversário, é celebrado o “Jane Austen's Day” com mais fãs se somando a uma legião de admiradores.
Em 2025 se comemora os 250 anos do nascimento de Jane Austen. Considerada a criadora dos alicerces das histórias românticas tal como as conhecemos, ela também moldou a narrativa literária inglesa graças a seu texto fluído, preciso e de fácil compreensão. As histórias protagonizadas por suas heroínas (como a espirituosa Elizabeth Bennet, de “Orgulho e Preconceito”) mostram o olhar afiado de Austen, bem como seu senso de humor refinado e sarcástico, e seguem ganhando adaptações para o cinema, o teatro e o streaming.
Jane também é referência para os autores modernos. Entre eles está a escritora espanhola Espido Freire, de 51 anos, nascida na cidade de Bilbao e uma especialista em Jane Austen, a quem revisita vez ou outra em seus livros. É o caso de sua mais recente obra – “Mi tía Jane” (“Minha tia Jane”), uma biografia da autora britânica baseada em fatos e documentos históricos e contada pelo olhar do sobrinho de Jane – James Edward Austen.
National Geographic entrevistou a escritora com exclusividade e por ocasião dos 250 anos de Jane Austen, para entender um pouco sobre o seu legado e a relevância da inglesa. “Jane Austen não é uma autora complexa, nem barroca: ela vai direto ao osso. E em um momento em que a atenção de quem lê dura apenas uns segundos, Jane é perfeita tanto com suas frases como com as cenas que inspira”, garante Freire. A seguir, confira a conversa completa.
“Razão e Sensibilidade”, “Orgulho e Preconceito”, “Mansfield Park” e “Emma” foram os quatro livros lançados em vida por Jane Austen. Sua família ainda publicou duas outras obras no mesmo ano em que a escritora morreu, já após ela ter falecido. Foto de Charlotta Wasteson/Creative Commons (CC BY 2.0)
Por que Jane Austen ainda é relevante no século 21?
NatGeo – Mesmo mais de 200 anos depois, parece que Jane Austen vem se tornando mais e mais popular. Na sua opinião, o que explica o fato de ela seguir ganhando fãs e leitores jovens, e concorrendo com o ambiente digital?
Espido Freire – Os jovens sempre foram jovens e, muitas vezes, a gente se esquece que, tanto eles como as crianças, têm muito mais em comum entre si do que nós, os adultos. E sobretudo na época da adolescência ou da pós-adolescência onde a rebeldia, a necessidade de buscar um ideal, o enamoramento mais forte, a capacidade de fazer sacrifícios e também uma maior sensibilidade são comuns a praticamente toda a juventude de todas as épocas do mundo.
Mas com a obra de Jane o que ocorre é que, nos finais do século 18, princípios do 19, com o romantismo muito perto – ainda que Jane Austen fosse neoclássica – ele começa a se manifestar de uma forma que é a mesma que a nossa hoje. Isto é, se começa a falar de liberdade, da importância da identidade pessoal, da desobediência aos mais velhos e da necessidade de buscar o próprio caminho.
Ainda que os jovens no passado sentissem parecido, aquilo que era pedido a eles era obediência e sacrifício de si mesmos – ou do contrário eles receberiam terríveis castigos. Pense no que aconteceu com Romeu e Julieta, por exemplo. As histórias de Jane Austen, por sua vez, falam de jovens que têm que enfrentar determinadas dificuldades – que não são uma guerra ou ser abandonado em um bosque; não são as horríveis questões épicas, senão aquilo que todos nós encontramos no nosso dia a dia, na nossa casa ou na nossa cidade.
Então, mesmo sem recorrer a grandes aventuras, Jane nos mostra que aquilo que acontecia com a protagonista – e suas irmãs, primas, sobrinhas – não envelheceu porque sempre há uma conexão humana entre uma geração e outra. As mães atrapalhadas, os pais distantes, a sensação de que você é a única que mantém um pouco o juízo na casa – ou o sentimento de amar alguém e ao mesmo tempo em que você se irrita com essa pessoa constantemente.
À esquerda: Capa do livro "Mío Tía Jane", de Espido Freire.
À direita:O livro "Orgulho e Preconceito" é considerado pela escritora Espido Freire como a obra mais perfeita da lista de livros publicados por Jane Austen. fotos de Divulgação
Afinal, quem era Jane Austen?
NatGeo – Austen sempre foi muito mordaz em suas observações, mas já teve que a descreveu como uma solteirona amargurada. Você acha que seu trabalho também ajuda a revelar quem era, na verdade, Jane Austen?
Espido Freire – Bom, os leitores me dizem que sim, principalmente as mulheres. Elas contam que tinham outra ideia sobre quem era a Jane e que depois de lerem seus livros isso mudou. Quer dizer, ela tem frases tão irônicas, tão divertidas; não é uma “senhora” ranzinza que estava em casa escrevendo sozinha. Era alguém que estava aberta ao mundo e tinha uma capacidade incrível para traçar o caráter humano.
Também é preciso levar em conta que, nos últimos tempos, temos começado a ler de uma forma muito mais intensiva as autoras femininas, porque se publicam mais seus livros, se estuda mais sobre elas. E o mundo de Jane Austen é bastante atrativo: é um mundo do equilíbrio, do conhecer-se a si mesma; um mundo em que o amor não é uma tormenta que te arrasa, senão uma brisa que te acompanha. É algo que te faz melhor e melhor pessoa.
Acredito que as novas gerações, inclusive os millennials, que têm uma enorme preocupação por afastar-se de questões tóxicas, encabeçam, muitas vezes, rejeições evidentes ao amor romântico (ainda que sigam lendo e consumindo muito amor romântico), ler Jane Austen pode ser muito refrescante. É a sensação de que não há por que estar constantemente ao limite.
A casa de Jane Austen que hoje é um museu fica em Chawton, nos arredores de Alton, Hampshire, Inglaterra.Foto de Creative Commons (CC BY-SA 4.0)
Como autores e leitores se conectam com a autora de “Orgulho e Preconceito”
NatGeo – Qual é a sua relação pessoal com Jane Austen?
Espido Freire – Meu estudo e proximidade com Jane Austen começaram quando eu estava na faculdade de filologia inglesa e já tinha lido alguns de seus romances. Anos mais tarde, depois de já ter publicado alguns livros, surgiu um desejo de escrever sobre escritoras. Eu queria “devolver” parte do que elas me tinham dado e pertencer também a uma linhagem de mulheres que escrevem.
Assim surgiu a ideia de viajar para os lugares os quais Jane Austen e também as irmãs Brontë viveram. Meu primeiro livro sobre Austen também incluía as duas e esses destinos. A partir de então, a demanda por parte dos leitores por saber mais sobre Jane nunca cessou. E, nos últimos cinco anos, aumentou de uma maneira muito evidente.
Então, uma vez que você encontra uma temática que interessa aos leitores, é um tesouro, certo? Meu último livro, "Minha tia Jane”, também é o primeiro romance que escrevo realmente sobre Jane Austen (o livro anterior era um ensaio). Aqui, a maneira com que o narrador – neste caso James Edward, que é um rapaz de 19 anos sobrinho de Jane – vai se aproximando da história me faz ocultar coisas que eu sei sobre a escritora, porque James não pode já saber de tudo num primeiro momento.
Isso é muito interessante porque obriga a mim e aos leitores a voltar à tia Jane, à Jane solteira, à Jane que era o membro menos importante de sua família. E, ao mesmo tempo, sentir a surpresa que Edward deve ter sentido quando ele e todos começaram a se dar conta de que a “tia Jane” era muito mais do que eles imaginavam. No final, o livro fala de um tema muito delicado, que é o de não conhecermos as pessoas por quem temos afeto, de não conhecermos as pessoas da nossa própria família.
Já meu romance favorito de Jane sempre varia; mas agora eu diria que é “Persuasão”. Trata-se de uma história sobre segundas oportunidades; é o romance do arrependimento, das pessoas que não dizem ‘se voltasse a nascer faria tudo igual’. Ao contrário. Nesse livro ela diz que, se há uma segunda oportunidade, as coisas podem ser feitas melhor e para mim isso é encantador.
No entanto, acho que o livro mais perfeito de Jane, o melhor armado, talvez seja “Orgulho e Preconceito”, sua obra mais popular. É muito bem escrita, divertida, brilhante, luminosa… Desde os diálogos ao arranque da história; da psicologia da personagem às cenas, trata-se de uma grande obra clássica.
“Ler Jane Austen pode ser muito refrescante. É a sensação de que não há por que estar constantemente ao limite.” Espido Freire - Escritora espanhola
Quem foi Jane Austen e por que ela é importante
Nascida em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, Hampshire, no interior da Inglaterra, Jane Austen é considerada o nome literário que “deu ao romance seu caráter distintamente moderno ao retratar pessoas comuns em sua vida cotidiana”, como detalha Enciclopaedia Britannica (plataforma de conhecimentos gerais do Reino Unido).
Apesar do sucesso que ronda seu nome e seu legado, Austen só publicou quatro livros na carreira. São eles “Razão e Sensibilidade” (1811), “Orgulho e Preconceito” (1813), “Mansfield Park” (1814) e “Emma” (1815). Já “Persuasão” e “A Abadia de Northanger” foram originalmente publicados juntos, de maneira póstuma por sua família, em 1817.
Apesar de ser conhecida por suas novelas românticas, Jane Austen nunca se casou oficialmente, focando seu tempo e talento na escrita e na análise do cotidiano. Seu olhar apurado para captar as sutilezas dos relacionamentos amorosos e demonstrar como os matrimônios eram verdadeiros negócios jamais envelheceu.
Jane morreu em 18 de julho de 1817, em Winchester, Hampshire, também na Inglaterra, mas a cada ano milhares de mulheres se reúnem para comemorar sua vida e obra na celebração que ficou conhecida como “Jane Austen Day". Ocorrida anualmente em 16 de dezembro, a efeméride contempla encontros literários além de bailes de época e festivais.
*A entrevista foi feita por Luciana Borges, Editora Sênior de National Geographic Brasil e LATAM.
A árvore começa a ser montada, as luzes vão chegando e mais um Natal se aproxima.
A atmosfera vai se modificando e começam a surgir as reflexões íntimas.
Sim, Natal é tempo de reflexões, de analisar a própria vida.
Alegrias e tristezas vão se misturando.
Para muitos, resta aquela saudade dos risos e festas de outrora.
Para outros, é o momento exato de celebrar a vida e as conquistas obtidas.
Mas acima de tudo, Natal é tempo de nos recordarmos do Mestre, que nasceu numa manjedoura, trilhou os caminhos da humildade e deixou um legado de amor.
Mestre que nunca julgou e sempre manteve o olhar fraterno.
Que foi perseguido e humilhado, mas mesmo assim, jamais perdeu sua serenidade.
E que nos deixou a Sua paz...
Natal é tempo de nos voltarmos para o nosso interior e encontra a paz que o Mestre nos deixou, porque ela habita em nosso ser.
E ao encontrarmos essa paz, encontraremos também a imensa força que trazemos em nosso íntimo.
Força essa que nos fará lembrar que Natal é tempo de renascimento.
De descobrirmos que a esperança ainda está viva e pulsa dentro de cada um de nós.
De que novos horizontes são possíveis de serem atingidos, desde que busquemos por ele, confiantes de que não estaremos sozinhos nessa procura.
Natal é tempo de renovarmos nossos ideais, perseverarmos pelo caminho e termos fé que a vida pode sim, nos trazer grandes alegrias.
É preciso que valorizemos as flores que iremos encontrar no caminho, compreendendo que os espinhos sempre ficam para trás.
Que acreditemos intensamente que toda e qualquer tempestade sempre termina e que o sol volta a brilhar, nos trazendo uma nova alvorada.
Que as dores irão acompanhar a nossa evolução espiritual, mas as feridas cicatrizarão, portanto, devemos prosseguir.
Natal é nascimento de novas alegrias, de deixarmos para trás os sentimentos nocivos que apenas corroem nosso espírito.
Natal é tempo de festa, porém de uma festa espiritual, de recebermos todo o Amor do Mestre Jesus e comemorarmos o seu nascimento, sentindo a Sua presença em todos os instantes da nossa vida.
Porque Ele está sempre conosco.
Então, Natal é Vida, Renovação, Amor, Fé, Perseverança, Coragem e Confiança de que ainda há muito a ser feito e que Jesus caminha conosco, iluminando os nossos caminhos com Sua Luz.
Luz essa, que faz do Natal, uma data de renascimento espiritual.
Que possamos, sintonizados com o Mestre, renascer a cada dia e continuarmos nossa caminhada rumo à evolução espiritual, confiantes, porque não nos faltará proteção...
Todo fim de ano acontece o mesmo roteiro: vitrines enfeitadas, promoções “imperdíveis”, filmes temáticos em loop e gente dizendo que essa é “a época mais mágica do ano”.
Só que, enquanto muita gente entra de cabeça nesse clima, outras sentem um aperto no peito, um incômodo difícil de explicar ou, simplesmente, vontade de passar longe de qualquer coisa que lembre Natal.
Se esse é o seu caso, isso não significa frieza, falta de gratidão ou “problema de personalidade” – e a psicologia tem muito a dizer sobre isso.
Antes de mais nada, é importante lembrar que dezembro vem carregado de cobranças silenciosas.
Não está escrito em lugar nenhum, mas a mensagem aparece em campanhas publicitárias, nas redes sociais e até em conversas de família: você tem que estar feliz, sorrindo, rodeado de gente e agradecendo por tudo.
O Natal é apresentado como o “pico emocional” do ano, símbolo de união e harmonia. Só que, para muita gente, isso está bem longe da experiência real e gera a sensação de não se encaixar em um script pronto.
Do ponto de vista psicológico, rejeitar ou se afastar das festas pode ser, sim, uma forma de se proteger.
A psicologia contemporânea rompe com a ideia de que quem não gosta de Natal é “amargo” ou “problemático” e passa a olhar para o contexto emocional de cada pessoa.
Como lembra o psicólogo Víctor Amat, é muito comum que, nessa época, as pessoas tentem exibir alegria como se fosse um dever, ignorando lutos recentes, conflitos pessoais, exaustão acumulada ou mudanças difíceis que aconteceram ao longo do ano.
Esse esforço para performar felicidade consome energia psíquica e pode piorar o estado emocional.
Quando alguém tenta encaixar um sentimento falso em uma situação cheia de expectativas, surge um conflito interno forte.
A psicologia descreve isso como um choque entre o que o ambiente exige e o que a pessoa realmente sente.
De um lado, o cenário: mesa farta, abraços, fotos e frases de gratidão. Do outro, o que está acontecendo por dentro: tristeza, cansaço, saudade, irritação, sensação de vazio ou simplesmente neutralidade.
Essa incompatibilidade gera tensão, culpa (“eu devia estar feliz”) e, muitas vezes, vontade de fugir.
Para algumas pessoas, o Natal funciona quase como um lembrete incômodo.
A psicóloga Marina Mammoliti aponta que essas datas tendem a reabrir feridas que pareciam adormecidas: brigas antigas, histórias mal resolvidas, dinâmicas familiares desiguais, comparações, cobranças ou mesmo lembranças de quem já morreu e fazia parte da comemoração.
A obrigatoriedade do encontro — “todo mundo tem que estar junto” — pode transformar a ceia em um palco de ressentimentos.
Nessas circunstâncias, dizer “não vou” ou “vou ficar na minha” deixa de ser rebeldia e passa a ser uma forma concreta de preservar a saúde emocional.
Outro ponto pouco falado é o uso de uma espécie de “máscara de entusiasmo” nessa época. A pessoa ri, posta foto, participa do amigo secreto, mas sente que está traindo a própria verdade. Para quem valoriza autenticidade, isso pesa.
Quando a participação nas festas é vivida como atuação, e não como escolha, o corpo responde: ansiedade, insônia, irritação, dores físicas e um cansaço difícil de explicar.
Estabelecer limites — seja encurtando o tempo nas reuniões, seja optando por não participar — pode ser um modo claro de defender a própria integridade psíquica.
Também existe uma mudança de olhar em relação às tradições. O psicólogo Daniel Gómez observa que muita gente tem ressignificado as festas de fim de ano, adaptando-as à própria realidade, em vez de seguir modelos herdados.
Algumas pessoas abrem mão de rituais mais formais, outras preferem encontros menores, viagens, voluntariado, ou até transformar o dia 24 e 25 em momentos de descanso, leitura, maratona de séries ou silêncio, sem culpa.
Para parte desse grupo, o Natal funciona mais como um marcador de passagem do tempo e revisão de expectativas do que como sinônimo de celebração intensa.
Em vez de tentar encaixar todas as pessoas em uma única forma de viver dezembro, especialistas reforçam que o mais saudável é admitir a diversidade de experiências.
Há quem espere o ano inteiro por essa data e há quem respire fundo só de ver o primeiro pisca-pisca na rua.
Respeitar a própria apatia, irritação ou indiferença não significa desistir da vida afetiva; significa reconhecer que emoções não seguem calendário nem campanha de marketing.
E, em muitos casos, cuidar da própria saúde mental no fim do ano passa, justamente, por se dar o direito de se afastar um pouco do barulho, do excesso de estímulos e das expectativas alheias — mesmo que isso inclua não gostar do Natal.