Abutres da mídia visam Dirceu




Por Leandro Fortes, no blog da Maria Frô:

O único e verdadeiro drama do julgamento do “mensalão” diz respeito a uma coisa que todo mundo já sabe: não há uma única prova contra o ex-ministro José Dirceu na denúncia apresentada ao STF pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel. Nada. Nem uma única linha. Nem um boletim de ocorrência de música alta depois das 22 horas. Nadica de nada.


Mas, sob pressão da mídia, o STF tem que condenar José Dirceu.

Pode até condenar os outros 36 acusados. Pode até mandar enforcá-los na Praça dos Três Poderes. Mas se não condenar José Dirceu, de nada terá valido o julgamento. A absolvição de José Dirceu, único caminho possível a ser tomado pelos ministros do STF com base na denúncia de Gurgel, irá condenar seus acusadores de forma brutal e humilhante. Quilômetros de reportagens, matérias, notas e colunas irão, de imediato, descer pelo ralo por onde também irá escoar um sem número de teses do jornalismo de esgoto.

A absolvição de José Dirceu irá jogar a mídia sobre o STF como abutres sobre carne podre com uma violência ainda difícil de ser dimensionada. Algo que, tenho certeza, ainda não se viu nesse país. Vai fazer a campanha contra José Dirceu parecer brincadeira de ciranda.

Por isso, eu não duvido nem um pouco que José Dirceu seja condenado sem provas, com base apenas nesse conceito cafajeste do “julgamento político” – coisa a que nem o ex-presidente Fernando Collor de Mello foi submetido.

Para quem não se lembra, ou prefere não se lembrar, apesar de afastado da Presidência da República por um processo de impeachment, Collor foi absolvido pelo STF, em 1992. O foi, justamente, porque a denúncia do então procurador-geral da República, Aristides Junqueira, era uma peça pífia e carente de provas. Como a de Roberto Gurgel.


Postado no Blog do Miro em 20/08/2012


Só o "mensalão do PT" acabou na Justiça!






Postado no Blog do Miro em 21/08/2012


"Avenida Brasil": um caminho duvidoso




Por Rodolpho Motta

Desde que o mundo é mundo, o domínio de uns poucos sobre muitos – ou, se quiserem, das elites sobre o povo -, ou se dá na base da repressão, com violência explícita que sufoca o corpo e a alma dos cidadãos – ou se constrói com dissimulações que pretendem contagiar, com o subliminar, os corações e as mentes.

Esse segundo papel é desempenhado pelas grandes mídias de todos os países e, entre nós, tem seu maior representante nas empresas “globais”, que aqui trago como exemplo não porque não goste delas – o que, confesso, é verdade – mas porque ainda ocupam posição hegemônica junto ao “povão”, o que é bem claro no caso da TV aberta. E é óbvio que não estou falando de sustentação governamental, mas de um poder de classe, que transcende governos, porque encarna uma ideologia que a história mostra que jamais esteve a serviço do nosso povo.

Se tivermos paciência de, ao menos um dia, assumirmos o sacrifício de nos colocarmos como expectadores da “Vênus platinada”, perceberemos claramente que ela – porque vem perdendo seu público das classes “A” e “B” para a internet – assumiu a postura de pegar carona na ascensão da chamada “nova classe média” que, ironicamente, lhe foi oferecida pelo projeto social dos últimos governos, que os globais detestam... Até aí nada demais. Faz parte de um mundo onde lucro, mercado, oportunidade (ou oportunismo, como queiram) são palavras recorrentes. Essa é apenas mais uma corporação a querer a sua fatia desse bolo que envolve o poder e o que dele decorre.

O problema é que, a partir da constatação desse “nicho de mercado”, a impressão é de que se tenta reproduzir uma ideologia de componente preconceituoso a respeito do novo “público-alvo”, que parece ser visto como um conjunto de pessoas suscetíveis apenas de dar e receber o rasteiro, o vulgar, a baixaria. Pessoas a quem somente interessaria o superficial, o trivial, presas fáceis de modas e modismos, vírus que o quartel-general midiático sabe muito bem inocular. Misturando-se “caldeirões” e “faustões” em uma “zorra total” em que não falta lugar para “instrutivos e fascinantes” temas para “Encontros/Na Moral”, como a histeria pela “mulher-melão”, a discussão sobre troca de casais e coisas do gênero, parece haver aí uma intencionalidade, cujo carro-chefe está nas novelas pretensamente ambientadas nos redutos “populares”, entre elas a “Avenida Brasil”, que hoje mobiliza o público noveleiro do país. E, no caso, importa pouco saber que milhões de brasileiros “se divertem” com a trama. Há uma grande discussão, não resolvida, sobre se a mídia “faz o que o povo quer” ou “faz o povo querer”...

Nunca houve uma enxurrada tão grande de novelas com personagens “do povo”: empregadas domésticas, balconistas, serventes, bombeiros, jogadores de futebol etc. Isso seria digno de aplausos se não colocasse o “povão” como ator e receptor de um permanente espetáculo circense, encobrindo-se suas justas revoltas e a procura de seus legítimos interesses. Porque esses personagens são mostrados ora como caricaturas risíveis, ora como individualidades predestinadas à fortuna pelos deuses da loteria ou da fama repentina que o sistema propiciaria, mas quase nunca como seres sufocados pelos verdadeiros embates diários que caracterizam uma sociedade desigual e perversa como a nossa.

Na ambiência de um falso lixão “glamourizado” ou no reduto do subúrbio carioca, a uma vilã irreal de incomensurável grau de mesquinhez e falsidade corresponde uma “mocinha” cuja vingança beira o sadismo, com dois heróis permanentemente enganados, cuja fraqueza não enxerga o óbvio. Um homem rico que desfruta e é desfrutável por três esposas condescendentes, um outro que tipifica o rufião cujo único valor é o dinheiro, uma jovem que encarna o chamado “objeto sexual”, empaticamente apresentada como alguém que goza de “liberdade”, homens e mulheres que trocam de amores como de roupa, jovens que não estudam (jogam bola), crianças que são “salvas” em um lixão, todos esses personagens – e outros que é cansativo enumerar - compõem uma dramaturgia duvidosa, um enredo de soluções fáceis, que desenrola (ou enrola) a história, sempre com o auxílio de alguém que, nos momentos complicados, escuta através das paredes ou atrás das portas...

Nas últimas semanas, a Globo vem colocando seu foco em dois assuntos: um óbvio – o julgamento do STF – e outro, mais sutil, que é a “preocupação” com os rumos da Educação no país, promovendo levantamentos e buscando mostrar mais derrotas que vitórias. Na minha opinião, isso é parte da estratégia dos neoliberais contra o ex-ministro da Educação, candidato em São Paulo. Mas, admitindo-se que é sério o interesse global, não custa contribuir, lembrando que a Educação tem várias faces e não se faz só dentro das escolas: ela é mais ampla, passando, inclusive, pela família e pelos órgãos midiáticos, com suas responsabilidades sociais. A grade programática das emissoras abertas no Brasil – todas concessões do poder público - seguramente não ajuda em nada no processo de educação do povo. É, pelo contrário, instrumento que estimula a perpetuação do embrutecimento geral.

Ah! Ia esquecendo de mencionar – e seria falha imperdoável – o “eu quero tchu, eu quero tcha” e o kuduro “oi oi oi”, pérolas do nosso cancioneiro, que vêm embalando as noites dos brasileiros.

Postado no blog Terra Brasilis em 19/08/2012



Mais uma daquelas tristes charges do Marco Aurélio


Eu nem queria escrever sobre a Zero Hora de novo, mas aí me deparo com isto e fico sem opção:


Se a crítica fosse ao governo, poderia até ser válida, dependendo de como fosse construída (embora eu não acredite muito que o Marco Aurélio consiga fazer uma crítica decente e ainda engraçada), mas desse jeito, tentando frustradamente ironizar a péssima colocação do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tendo como alvo os alunos, ela é só agressiva e descabida.
A história do humor crítico no Brasil é riquíssima, cheia de exemplos de como ser engraçado e contribuir para o fortalecimento da democracia a partir da provocação, do escárnio. É lindo quando esse espírito existe, em qualquer governo, em qualquer jornal, e a crítica pode ser bem contundente. Mas tem que saber fazer. Não dá pra basear a piada em preconceito e humilhação, coisa que só faz quem não sabe fazer. Não é a primeira vez que digo e repito: o principal chargista da RBS não serve pro metiê.

Postado no blog Somos Andando em 16/08/2012
Obs.: Metiê palavra da língua francesa que significa trabalho, ofício, profissão, prática, técnica.



A saga do escritor maldito sempre se confirma



Publiquei este livro faz duas semanas.
Mil exemplares em papel.
Preço: R$ 19 (www.editorasulina.com.br)
Contei meus seguidores no twitter.
Contei meus seguidores no facebook.
Descontei as sobreposições.
Calculei que o livro se esgotaria em meia hora.
Estabeleci que viraria cult, um novo Guy Debord, em uma semana.
Botei espumante no gelo para comemorar a maldição.
Sentei-me para esperar.
Crio um conceito, um neologismo: midíocre.
Livreiros e distribuidores ligam para avisar que tem um erro na capa.
As redes sociais ignoram-me.
Saboreio o silêncio da maldição.
Reli um trecho, a minha “tese” 170:
“A civilização em rede é um apocalipse cujos arautos se expressam por imagens sem hecatombes. O ocaso do papiro e do pergaminho anunciaram novos tempos de progresso e de redenção terrena. O ocaso do papel anuncia um salto histórico sem precedentes. Um avanço quântico para as origens, a emancipação como coletivo inteligente, o nascimento de uma nova categoria, o individualismo coletivo, o homem como parte de um todo articulado, mas sem vinculação mecânica ou dependência sequencial. Nenhuma inteligência artificial, porém, como sabia Jean Baudrillard, salvará o homem da sua estupidez natural, cuja principal característica é a impossibilidade do avanço do imaginário – ruptura com o irracional e com o não-racional – sem uma perda letal de subjetividade. O paradoxo do imaginário consiste nessa necessidade de uma aparente pobreza para ser rico. Um mundo totalmente científico seria árido. A razão jamais dá conta da desrazão da existência”.
A consagração atrasou um pouco.
Ainda sobram 998 livros.
Creio que em mais meio século tudo estará resolvido.
Comemoro.
Postado no blog Juremir Machado da Silva em 17/08/2012

"Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas", diz Ziraldo na Bienal




Ziraldo durante a 22º Bienal Internacional do Livro, em São Paulo (9/8/2012)

Ziraldo durante a 22º Bienal Internacional do Livro, em São Paulo (9/8/2012)

Guilherme Solari


Uma breve conversa de 15 minutos com Ziraldo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo acaba passando por temas como literatura, colonização brasileira, marketing, UFC, novas tecnologias, casos de família e até mesmo um pouco sobre os seus lançamentos na feira.

Aos 80 anos e em sua 16ª Bienal, o pai do Menino Maluquinho não cessa de enfatizar a importância de feiras literárias e do próprio livro para enfrentar o que ele considera em “emburrecimento” endêmico da sociedade.
“A família brasileira não lê. Nós temos a internet que pode ser a fonte da vida e do conhecimento, mas o computador é usado como brinquedo. Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas”, disse Ziraldo ao UOL. “Bote um livro na mão do seu filho e ensine o domínio da leitura. Se ele não dominar isso, só vai dar certo se souber jogar futebol ou dar porrada muito bem para entrar nesse UFC”.
Ziraldo mostra não aprovar o sucesso das competições de artes marciais mistas. “Liguei a TV de madrugada outro dia e vi dois seres se esfregando. Achei que fosse pornografia. E aí o chão começou a se encher de sangue como se tivesse rompido o hímen. Só depois percebi que era essas lutas”, contou Ziraldo.
Apesar de ser autor de obras que marcaram seguidas gerações de crianças brasileiras, Ziraldo diz que não se considera um narrador. “Não tenho um talento como o de Thalita Rebouças ou da autora do Harry Potter”, falou. “Eu parto de uma ideia simples como uma ilustração e tento fechá-la com chave de ouro, como fazia quando trabalhava no marketing”.
“O livro é o objeto mais perfeito da história da humanidade”, defendeu Ziraldo. “Você carrega a história em suas mãos, sente o cheiro do papel, o tempo que você vira uma página é um tempo que percorre na história. O livro contém vida e isso não pode ser substituído por algo frio e digital”.
Quando perguntado sobre o que mudou em sua comunicação com as crianças em todos os anos de literatura infantil, Ziraldo responde: “Não mudou nada. Os tempos e as tecnologias podem mudar, mas a criança não muda nunca”. Ziraldo lança na feira “O Grande Livro das Tias” (Melhoramentos), homenagem às tias e sua importância na infância.
Postado no blog Livros e Afins em 16/08/2012