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Ela alertou tudo que estava por vir !



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Por que a classe média foi para as ruas ? Não foi contra a corrupção



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Médicos que receitaram o impeachment estão reclamando de que agora?





Mauro Donato

Generalizar significa ofender as exceções. Mas as classes de médicos apoiaram em peso o impeachment de Dilma Rousseff. Centenas de Conselhos regionais e o próprio Conselho Federal de Medicina patrocinaram o golpe.

O Sindicato dos Médicos do Ceará espalhou outdoors por toda a cidade de Fortaleza convocando os panelaços. A Associação Médica Brasileira pagou para publicar anúncios em jornais espinafrando o governo petista e convocou ‘pacientes e amigos’ para irem à av Paulista. E não ficou restrito apenas aos profissionais. Foram muitas as faculdades de medicina que fizeram campanha pró Aécio com os formandos. Portanto exceções confirmam a regra.

Por que agora estão tão revoltados com o ministro da Saúde de Michel Temer? Se o ministro Ricardo Barros é especialista em disparar frases recheadas de sandices e preconceitos (como a mais recente que tem causado a fúria na categoria: “Os médicos precisam parar de fingir que trabalham”), por outro lado, ele atende aos anseios de todos aqueles que queriam ver Dilma pegar o boné e deixar o Palácio.

A pauta não era de um estado mínimo? Pois bem, tão logo tomou posse da pasta, Ricardo Barros já havia dito que o SUS precisaria ser revisto porque ‘infelizmente o governo não tem capacidade financeira para suprir todas essas garantias que tem o cidadão.’ Ali o caldo azedou entre médicos e o ministro. E de lá pra cá, tudo piorou, como a chuva de ovos no casamento de sua filha não deixa mentir.

Ricardo Barros está como ministro de Michel Temer há mais de um ano e já cometeu gafes (para não dizer outra coisa) inacreditáveis. Barros é engenheiro de formação, portanto seu conhecimento sobre saúde associado a seu perfil ‘Temer’ que aprecia as ‘recatadas do lar’, propicia que solte pérolas como responsabilizar a ausência das mulheres em casa como causa da obesidade infantil (mesclou machismo com ‘achismo’).

Para comprovar que não se tratou de um deslize misógino, em outra oportunidade disse que os homens procuravam menos o atendimento de saúde porque ‘trabalham mais do que as mulheres’.

O ministro também já declarou – do alto de seu conhecimento acadêmico – que a população não colabora, exagera, que procura atendimento apenas por ‘imaginar estar doente’.

“A maioria das pessoas chega ao posto de saúde com efeitos psicossomáticos”, afirmou durante um evento na sede da Associação Médica Brasileira (aquela que pagou os anúncios exigindo ‘Fora Dilma’), quando aproveitou para passar um pito nos médicos, aconselhando-os a não pedirem tantos exames laboratoriais nem ficar prescrevendo remédios à toa.

“Não temos dinheiro para ficar fazendo exames e dando medicamentos que não são necessários apenas para satisfazer as pessoas”. Em tempo: o SUS, ao invés de ‘satisfazer’, tem deixado muita gente agonizando por não entregar remédios, e o ministério de Barros ainda reclama de uma ‘judicialização’ nos pedidos não atendidos.

Enfim, defender Ricardo Barros é impossível, mas os médicos pediram por isso.

A classe médica satanizou o Mais Médicos. Um programa que levou mais de 18 mil médicos a mais de 4 mil municípios (quando muitos deles não contavam com nem um único médico sequer) e que, de tão ‘ruim’, obteve nota média 9 (em uma escala de satisfação de 0 a 10), segundo levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizado com mais de 14 mil pessoas em 700 municípios.

Infelizmente a medicina (de novo, salvo exceções) parece ter desvirtuado sua motivação primeira de salvar vidas e tornou-se uma atividade calculista.

Não queriam um engenheiro?



Postado em DCM em 17/07/2017




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O Dia da Infâmia !



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DAMOUS LEMBRA DIA DA INFÂMIA E DIZ QUE BRASIL É GOVERNADO PELO JUDICIÁRIO


O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) lembrou um ano do 'Dia da Infâmia' nesta segunda-feira 17 em um vídeo postado nas redes sociais – quando o processo de impeachment de Dilma Rousseff foi aceito na Câmara dos Deputados.
Segundo ele, o Supremo Tribunal Federal não deve reverter esse cenário, mesmo depois da confissão de Michel Temer de que o impeachment ocorrreu por um ato de vingança de Eduardo Cunha, porque "está mergulhado no golpe. Está mergulhado no desmonte do País".
Para Damous, "Temer desgoverna aquilo que ele foi pago para fazer. O desmonte das políticas sociais, do estado brasileiro". O deputado diz ainda que "hoje quem governa o País é o sistema de Justiça brasileiro. A política foi engolfada pelo Supremo, pela República de Curitiba e pela Polícia Federal".




Postado em Brasil 247 em 17/04/2017



Discurso pós-golpe da " Presidenta Eleita " Dilma Rousseff


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Ao cumprimentar o ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva, cumprimento todos os senadoras e senadores, deputadas e deputados, presidentes de partido, as lideranças dos movimentos sociais. Mulheres e homens de meu País.
Hoje, o Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal. Decidiram pela interrupção do mandato de uma Presidenta que não cometeu crime de responsabilidade. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar.
Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições. Não ascendem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de Estado.
É o segundo golpe de estado que enfrento na vida. O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo.
É uma inequívoca eleição indireta, em que 61 senadores substituem a vontade expressa por 54,5 milhões de votos. É uma fraude, contra a qual ainda vamos recorrer em todas as instâncias possíveis.
Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados.
O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal. Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social.
Acabam de derrubar a primeira mulher presidenta do Brasil, sem que haja qualquer justificativa constitucional para este impeachment.
Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática.
O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido.
O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência.
Peço às brasileiras e aos brasileiros que me ouçam. Falo aos mais de 54 milhões que votaram em mim em 2014. Falo aos 110 milhões que avalizaram a eleição direta como forma de escolha dos presidentes.
Falo principalmente aos brasileiros que, durante meu governo, superaram a miséria, realizaram o sonho da casa própria, começaram a receber atendimento médico, entraram na universidade e deixaram de ser invisíveis aos olhos da Nação, passando a ter direitos que sempre lhes foram negados.
A descrença e a mágoa que nos atingem em momentos como esse são péssimas conselheiras. Não desistam da luta.
Ouçam bem: eles pensam que nos venceram, mas estão enganados.
Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.
Quando o Presidente Lula foi eleito pela primeira vez, em 2003, chegamos ao governo cantando juntos que ninguém devia ter medo de ser feliz. Por mais de 13 anos, realizamos com sucesso um projeto que promoveu a maior inclusão social e redução de desigualdades da história de nosso País.
Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano.
Espero que saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas, independentemente de filiação partidária ou posição política. Proponho que lutemos, todos juntos, contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, contra a extinção de direitos, pela soberania nacional e pelo restabelecimento pleno da democracia.
Saio da Presidência como entrei: sem ter incorrido em qualquer ato ilícito; sem ter traído qualquer de meus compromissos; com dignidade e carregando no peito o mesmo amor e admiração pelas brasileiras e brasileiros e a mesma vontade de continuar lutando pelo Brasil.
Eu vivi a minha verdade. Dei o melhor de minha capacidade. Não fugi de minhas responsabilidades. Me emocionei com o sofrimento humano, me comovi na luta contra a miséria e a fome, combati a desigualdade.
Travei bons combates. Perdi alguns, venci muitos e, neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles.
Às mulheres brasileiras, que me cobriram de flores e de carinho, peço que acreditem que vocês podem. As futuras gerações de brasileiras saberão que, na primeira vez que uma mulher assumiu a Presidência do Brasil, a machismo e a misoginia mostraram suas feias faces.
Abrimos um caminho de mão única em direção à igualdade de gênero.
Nada nos fará recuar.
Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer “até daqui a pouco”.
Encerro compartilhando com vocês um belíssimo alento do poeta russo Maiakovski:
”Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta.“
Um carinhoso abraço a todo povo brasileiro, que compartilha comigo a crença na democracia e o sonho da justiça.




Imagens do Brasil Pós-Golpe de 1964 








Uma grande mulher contra o " sistema " : Textos e vídeos



Porque Dilma resiste, as mulheres brasileiras estão de alma lavada

Nathalí Macedo


Dilma brilhou no Senado, como vem brilhando, aliás, desde que decidiu enfrentar com bravura os punhais de seus algozes.


Nós sabemos, desde o início, que estamos do lado certo – o lado da democracia, como disse a Presidenta eleita e única que por nós será reconhecida até 2018 – mas a fala contundente e corajosa de Dilma serviu para selar esse sentimento com maestria.

A voz hesitante sumiu: Ela já não gagueja. Os dias difíceis enfrentando traidores, conspiradores e misóginos rendeu-lhe serenidade. A fala firme, segura, tranquila e pouco afetada tem uma motivação que golpista algum jamais experimentou: Consciência limpa.

A presidenta não agride, não desrespeita e não se exalta, o que é no mínimo admirável, considerando a revolta que habita tão violentamente a cada um de nós diante do circo político televisionado promovido por uma quadrilha de golpistas e descaradamente defendido por uma parcela considerável da população brasileira.

A postura altiva e franca de Dilma – uma postura de quem não tem do que se envergonhar – representa uma analogia triste com a postura de todas as mulheres brasileiras, que, embora lamentem o esfacelamento da democracia, sentem-se, como nunca, representadas por uma Presidenta corajosa e justa.

A misoginia embutida no golpe é, como já dissemos, a mesma misoginia cotidiana da qual todas nós somos vítimas, e resistimos com a mesma bravura elegante de nossa incondicional representante.

É assim, canalhas, que vocês estão produzindo cruel e involuntariamente mulheres incríveis: violentando-as. Vocês nos derrubam e nós levantamos mais fortes, vocês nos matam e nossas semelhantes resistem, vocês tentam nos diminuir e nós só crescemos, vocês nos desprezam e só o que conseguem é se mostrarem cada vez mais desprezíveis.

Desprezíveis não apenas porque conspiram contra a democracia e o povo brasileiro, mas porque fogem como ratazanas, porque não honram as calças que vestem, porque envergonham a Nação em todas as suas virtudes.

Somos, portanto, para a nossa vergonha, o Brasil de Eduardo Cunha, de Michel Temer e de Aecio Neves, mas somos também o Brasil de Erudina, de Vanessa Grazziotin, de Jandira Ferghali e de Dilma Rousseff.

Somos o Brasil das brasileiras que resistem. E hoje, apesar de tudo, é um belo dia para ser mulher brasileira porque nossas heroínas não se calaram, como nós mesmas jamais nos calamos. Porque a nossa Presidenta não fugiu e não renunciou – cumpriu, até o fim, o seu compromisso com a democracia pela qual tanto lutou e, sobretudo, com o povo brasileiro.

As ratazanas golpistas fogem, conspiram e protegem-se com escudos sórdidos. A presidenta ilibada fica e enfrenta.

E para nós, brasileiros ultrajados, resta a certeza reconfortante: A história se lembrará de Dilma Rousseff como a representação máxima da força e da coragem da mulher brasileira.


Postado em Diário do Centro do Mundo em 30/08/2016







A coragem de Dilma aniquilou os torturadores de hoje

Paulo Henrique Amorim





Postado em Conversa Afiada em 30/08/2016





Dilma sai grande do capítulo final de uma história de apequenamento

Fernando Brito

Dilma Rousseff, em sua história de vida, nunca foi uma “política”, embora à política tenha dedicado sua existência.

Foi e é, como mostrou ontem, uma mulher de convicções e de dignidade.

Cabeça erguida e dedo em riste, professoral, orgulhosa e forte, Dilma Rousseff encarou “olho no olho” seus juízes, recusando o “silêncio obsequioso de covardes”, escreve o Le Monde.

Não concordo com as análises de que ela tenha apenas “salvo a sua biografia”.

Tocou em todos os pontos essenciais, sem os arroubos oratórios que lhe seriam falsos não lhe dariam nada, porque eram dezenas de senadores sem causa brigando por frases grandiloquentes e ocas.

Disse o essencial.

Que o impeachment é produto do descontentamento das elites e a “eleição indireta” de quem não ganhava no voto.

Que foi Eduardo Cunha o instrumento para torna-lo viável.

Assumiu os erros de suas políticas econômicas, mas dentro de seu contexto. E, em boa parte, por fazer as políticas que mercado e mídia exigiam, em matéria de cortes, desoneração de tributos e elevação de juros.

Teve a decência e a correção de não atirar sobre seus auxiliares os atos pelos quais é injustamente acusada, sobretudo na questão dos pagamentos do Plano Safra, que era operado exclusivamente por Joaquim Levy ao longo de 2015 e foram liquidados quando já era Nélson Barbosa o Ministro da Fazenda.

Defendeu a apuração de todos os atos de corrupção, destacou o papel que ela e Lula tiveram no fortalecimento das instituições judiciais que, infelizmente, lançaram-se num arreganho fascista.

Sem sequer mencionar seu nome, imprimiu a marca da traição na testa de Michel Temer e, mais do que o PT, será ela a referência quando seu fracasso inevitável se evidenciar.

Reduziu o clube alegre do Senado àquilo que se tornou: um convescote de oportunistas que repetiam, com um pouco – mais nem tanto – o triste circo assistido na Câmara.

Não culpou o PT, nem mesmo aqueles que, usando o partido, entregaram-se ao jogo de vantagens que sempre foi a política brasileira.

E, ao seu jeito, serenamente, fez os parágrafos da carta-testamento de sua morte política anunciada, mas talvez não inevitável:

Entre os meus defeitos não está a deslealdade e a covardia. Não traio os compromissos que assumo, os princípios que defendo ou os que lutam ao meu lado. Na luta contra a ditadura, recebi no meu corpo as marcas da tortura. Amarguei por anos o sofrimento da prisão. Vi companheiros e companheiras sendo violentados, e até assassinados.
Na época, eu era muito jovem. Tinha muito a esperar da vida. Tinha medo da morte, das sequelas da tortura no meu corpo e na minha alma. Mas não cedi. Resisti.
Resisti à tempestade de terror que começava a me engolir, na escuridão dos tempos amargos em que o país vivia. Não mudei de lado. Apesar de receber o peso da injustiça nos meus ombros, continuei lutando pela democracia.
Dediquei todos esses anos da minha vida à luta por uma sociedade sem ódios e intolerância. Lutei por uma sociedade livre de preconceitos e de discriminações. Lutei por uma sociedade onde não houvesse miséria ou excluídos. Lutei por um Brasil soberano, mais igual e onde houvesse justiça.
Disso tenho orgulho. Quem acredita, luta.

Na era do cinismo, do farisaísmo, da falta de credibilidade, não há quem não tenha visto ontem: Dilma acredita.



Postado em Tijolaço em 30/08/2016







Greenwald: Temer x Dilma covardia versus coragem


 Fernando Brito, do Tijolaço 

Trecho do comentário do Prêmio Pulitzer de Jornalismo, Green Greenwald, no The Intercept, sobre a entrevista que deu ao Democracy Now, dos EUA, sobre as diferenças entre a atitude de Dilma de decidir ir se defender, pessoalmente, no Senado, no julgamento do pedido de impeachment e a de Michel Temer de escafeder-se de aparições públicas.

Durante as Olimpíadas, o “presidente interino” Michel Temer, temendo vaias, quebrou o protocolo ao exigir que seu nome não fosse anunciado quando ele apareceu na Cerimônia de Abertura (ele foi intensamente vaiado de qualquer maneira) e depois se escondeu, não comparecendo à Cerimônia de Encerramento.
 Em amplo contraste, a presidente realmente eleita da nação, Dilma Rousseff, decidiu ir ao Senado hoje para confrontar seus acusadores, quando a gangue de corruptos e criminosos que constituem o Senado brasileiro encaminha o fim do julgamento do impeachment, com o resultado virtualmente inevitável de que a presidente duas vezes eleita Dilma seja removida do cargo. 
É a personificação da covardia x coragem.

Assista a entrevista, na íntegra e legendada:









Impedir o golpe é uma questão de caráter





Paulo Moreira Leite


Em três meses fora do Planalto, Dilma Rousseff consumou uma vitória essencial para o futuro de nossa democracia, ao ganhar o debate político sobre a natureza de seu afastamento. 

Numa virada respeitável, a situação pode ser resumida assim: para além do círculo de políticos, empresários, meios de comunicação e jornalistas diretamente interessados numa derrota histórica do projeto político construído em torno de Luiz Inácio Lula da Silva, pode-se dizer que não há quem não esteja convencido, dentro e fora do país, de que sua saída da presidência representa um golpe de Estado, inaceitável pela própria natureza.

Iniciado na última quinta-feira, o confronto entre testemunhas de acusação e defesa completou com vários detalhes técnicos o desmonte das principais teses dos adversários construídas para justificar o afastamento. 

Para completar, a presença de Dilma no Senado, na segunda-feira, 29 de agosto, marcou um momento histórico. A presidente fez uma apresentação soberba. Dispondo de uma tribuna pública que jamais lhe foi oferecida para apresentar seu ponto de vista, teve clareza e competência para demonstrar seus pontos de vista e derrubar, uma a uma, as alegações de seus adversários, desde o início empenhados em encerrar aquela jornada delicada para seus propósitos no prazo mais rápido possível.

Mas hoje, quando o debate sobre o destino de Dilma ingressa na fase de deliberação final, as condições de temperatura e pressão no Senado estão longe de refletir aquilo que se pode ver e ouvir pelo país inteiro, nos últimos dias.

As chances de a presidente vir a ser afastada definitivamente seguem mais do que enormes. Isso ocorre apesar da clareza da argumentação contrária, da solidez dos dados apresentados, da desmoralização contínua do governo interino, incapaz de disfarçar o caráter regressivo de um projeto que jamais seria vitorioso caso fosse submetido a debate numa campanha eleitoral. Não é difícil explicar essa diferença entre o que se sabe e o que pode acontecer em breve, talvez nas próximas horas.

Iniciado na AP 470, em 2005, o massacre brutal do Partido dos Trabalhadores e seus aliados, que inclui a perseguição permanente a Lula e longas prisões de lideranças políticas e empresários vinculados ao esforço de construir uma economia voltada para o mercado interno, são a dificuldade real para a reversão de uma situação desfavorável. A derrota é anterior, extraparlamentar, num processo permanente e avassalador que atinge de frente aquele que é de longe o mais importante movimento político orgânico nascido no final da ditadura de 64, mas que agora se encontra sem músculos, sem voz e dividido, como se confirmou pela fraquíssima presença popular nos últimos protestos ao afastamento da presidente.

A democracia brasileira, duramente construída na resistência ao regime militar, já foi derrotada, fora do Senado. A saída de Dilma pretende, apenas, dar aparência legal a uma situação de fato. Daí o pânico com a palavra golpe.

Neste mundo que se encontra além da política e sua lógica, além do Supremo Tribunal Federal e seus sorrisos amarelos, a resistência final a um golpe notório, já escancarado, tornou-se uma questão de caráter.

É isso o que acontece em situações extremas e desiguais, muito difícil de enfrentar num absurdo universo fechado de personagens que só ouvem a si mesmos, em horas nas quais se usam as regras da democracia para destruir a própria democracia e se pronunciam argumentos morais para acobertar um infinito cinismo.

Quando as instituições falham, resta o caráter, ensinou o professor Wanderley Guilherme dos Santos, numa de suas aulas únicas sobre as diversas crises brasileiras. Em dezembro de 2015, data em que Michel Temer deu o braço, em público, para aliar-se a Eduardo Cunha e articular o impeachment que deveria salvar a pele de tantos, Wanderley escreveu:

“Quando as instituições falham, o caráter prevalece. Há quem nunca fraudou a lei por falta de oportunidade e há os que resistiram apesar dos convites das circunstâncias. Em crise, o caráter de cada um é desnudado. De vários políticos já conhecemos o material de que são feitos, uns de primeira, outros de segunda qualidade. Não há coletividade humana que escape ao vírus da safadeza. A esperança é que não se propague.”

Richard Sennet, um dos mais agudos estudiosos das sociedades contemporâneas, registrou numa obra seminal, “A Corrosão do Caráter” que vivemos um tempo de “capitalismo flexível”. Com isso o mestre se refere a um “ sistema que é muito mais do que uma variação sobre um velho tema. Enfatiza-se a flexibilidade. Atacam-se as formas rígidas da burocracia e também os males da rotina cega. “ Neste novo momento da evolução humana, distante do sistema em que a maioria possuía a proteção de leis trabalhistas e de um estado de bem-estar, pede-se agilidade e abertura “a mudanças de curto prazo,” continuamente favoráveis a riscos que dependem “cada vez menos de leis e procedimentos formais.”

Escritas já no prefácio da obra, estas palavras são um ponto de partida para se compreender o processo que pode levar nossa democracia ao despenhadeiro. Antes da flexibilização da exploração dos assalariados, dos programas que defendem o miserável e mesmo dão alguma garantia a classe média, é preciso flexibilizar a democracia. 

O objeto do estudo de Sennet, vale assinalar, são os trabalhadores precarizados pelo Estado mínimo, incapazes de assumir compromissos duradouros para organizar suas famílias, defender suas famílias e suas comunidades em função de um sistema de laços frouxos, que não oferece um horizonte de longo prazo e dificulta a escolha de “caminhos a seguir,” pois é impossível saber quais riscos “serão compensados.”

Nos últimos dias de agosto de 2016, uma guerra política que terá consequências de primeira grandeza sobre o Brasil e várias gerações de brasileiros e brasileiras, mudou de natureza.

Os fatos agora estão aí, a frente de todos, desde a conspiração no TCU até a arquitetura de Eduardo Cunha na Câmara. O essencial: Dilma não poder ser condenada porque é inteiramente inocente das acusações que lhe foram feitas. 

Ao contrário do que diz a tese de irresponsabilidade fiscal, mostrou-se excessivamente responsável ao lidar com as contas do governo, lembrou Luiz Gonzaga Belluzzo. 

Não pode ser condenada por uma lei que não existia no momento em que os fatos ocorreram, repetiu José Eduardo Cardozo.

Não pode ser vítima de regras que se aplicam em regimes parlamentaristas num país onde vigora o presidencialismo, sublinhou o constitucionalista Geraldo Prado. Nelson Barbosa calou os interlocutores com respostas claras e definitivas sobre assuntos variados. A lista poderia ser maior.

Elaborada como uma resposta necessária à consciência democrática dos brasileiros, que há muito tempo não aceitam qualquer mentira que lhe apresentam, aquilo que era um pretexto revela-se uma farsa. Deveria ser cancelada com um pedido de desculpas. Mas isso dificilmente irá ocorrer, por uma razão muito simples.

Pessoas de caráter são aquelas que defendem princípios mesmo quando eles não convêm a seus próprios interesses. Não se contentam em brindar a democracia em coquetéis. Não saúdam a liberdade para impressionar jovens mocinhas. Não têm como primeiro mandamento ético ficar de bem com donos de jornal e com jornalistas.

São personagens como o empresário Rubens Paiva, o usineiro Teotonio Vilella, a quatrocentona Terezinha Zerbini, o arcebisco Paulo Evaristo Arns. Bustos de bronze na memória de 200 milhões de brasileiros.

Os demais, cedo ou tarde, imploram para serem esquecidos.



Postado em Brasil 247 em 30/08/2016







Discurso da Presidenta Dilma Rousseff, 

no Senado, em 29/08/2016 












Retrocessos com o impeachment . . .



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Em tempos de animais virtuais e outros . . .






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No Senado ...




votacao do impeachment no senado (1)







Bastidores da farsa


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A luta de Dilma, ontem e hoje, pelo Brasil, a democracia e o povo






Editorial - site O Vermelho em 25/08/2016

Começou nesta quinta-feira (25), no Senado, o julgamento do processo de impeachment contra a presidenta constitucional e sem crime de responsabilidade, Dilma Rousseff. Os patrocinadores do golpe judicial, político e midiático estão apressados e querem concluí-lo no próximo dia 31.

O julgamento de Dilma Rousseff esconde o objetivo verdadeiro do golpe posto em marcha pelos conservadores e a direita: colocar um ponto final no projeto democrático, nacional e desenvolvimentista inaugurado com a posse de Luís Inácio Lula da Silva na presidência da República em 2003, mantido depois de 2010 por Dilma Rousseff.

O alvo do golpe é destruir a democracia, os direitos do o povo e a soberania do Brasil. Há um indisfarçável desejo de desfigurar a Constituição de 1988 e eliminar direitos sociais, políticos e econômicos nela consagrados. E voltar à situação anterior à 1985, que prevaleceu durante a ditadura militar, para que o governo vigente e os vindouros submetam-se apenas aos interesses dos muito ricos da população e reservem os recursos públicos para o pagamento de juros para os especuladores e o grande capital rentista.

Ao mesmo tempo o governo ilegítimo de Michel Temer põe em marcha a submissão ao capital estrangeiro e ao imperialismo, ilustrada na intenção de destruir o Mercosul e os Brics e submeter a diplomacia brasileira aos interesses das grandes potências, sobretudo dos EUA. A entrega das riquezas nacionais – sobretudo o pré-sal e a Petrobrás – para petroleiras estrangeiras é outro objetivo dos golpistas.

É um novo capítulo da luta que sempre ocorreu no Brasil, desde a Independência mas sobretudo na República, entre os liberais (hoje chamados neoliberais), defensores da ampla liberdade para a ação do capital para favorecer os ricos, contra aqueles que, como José Bonifácio, Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Lula e Dilma, lutaram pelo uso da força do Estado e do governo para legislar sobre a ação do capital, desenvolver o Brasil, melhorar a vida do povo e defender a soberania nacional. Neste sentido, o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff hoje iniciado no Senado é também o mais recente capítulo desse embate em defesa da nação soberana, do desenvolvimento e do bem estar dos brasileiros.

A novidade histórica deste julgamento é a coragem e o denodo da presidenta Dilma Rousseff, que não se dobra a nenhuma pressão e luta com determinação contra a violência do golpe que visa a amputar seu mandato para o qual foi eleita por 54 milhões de votos populares.

A presidenta tem coragem semelhante à de Getúlio Vargas que há 62 anos sacrificou a própria vida para denunciar os mesmos golpistas de hoje. Dilma vai além e, sendo afirmativa e lutadora, se coloca à frente da resistência democrática e popular contra a direita, os conservadores, contra a ação mentirosa e fraudulenta a que dão o nome de impeachment que tentam em vão disfarçar de legalidade.

Não é a primeira vez que Dilma se sacrifica na defesa da nação, da democracia e dos interesses populares. Ela era jovem quando enfrentou, faz quase 40 anos, a ditadura militar e seus torturadores.

Agora enfrenta outra vez as forças conservadoras e direitistas apegadas a um suposto combate à corrupção. As forças retrógradas são as mesmas, o combate é o mesmo, a combatente é a mesma – a luta pelo desenvolvimento e pela democracia e soberania nacional, cuja defesa se cristaliza, quatro décadas mais tarde, numa mesma pessoa – a hoje presidenta constitucional Dilma Rousseff.




Dilma no Senado : um filme de Frank Capra


reprodução


O paralelo entre Dilma e o filme de Capra é surpreendente. Espero mesmo que ela o assista e se inspire com essa obra-prima.


André Calixtre

Aproxima-se a semana decisiva do golpe. A democracia está no colo de 81 senadores e senadoras que, transformados em tribunal do impeachment sob presidência do análogo Supremo Federal, julgarão a acusação sem fundamento jurídico de crime de responsabilidade, introduzindo, mais uma vez, o perigoso voto de desconfiança parlamentarista em pleno regime presidencialista. Jogarão na vala não somente os 54 milhões de votos que reelegeram a primeira mulher presidenta do Brasil, mas todos os trinta anos de árduo processo histórico de redemocratização e construção de um Estado de Bem-Estar Social voltado para reduzir o inferno que as elites produzem no cotidiano dos trabalhadores, dos pobres, dos pretos, das mulheres e das minorias. No centro do conflito, uma mulher honesta vai enfrentar de cabeça e corpo erguidos a trupe de senadores que, muitos ao traí-la, já copulavam com os esquemas voltados para a retirada de um presidente eleito para executar um plano de governo indefensável nas urnas. No subterrâneo das negociações parlamentares, passam rios de interesses, e suas correntezas permanecerão escondidas aos olhos do cidadão comum.

Tudo se parece com um filme de Frank Capra, de 1939, chamado “Mr Smith goes to Washington”, cuja tradução brasileira é o inusitado título “A mulher faz o homem”. O título brasileiro não cai bem à proposta principal do filme, mas casa perfeito com o momento atual no Brasil. Capra é conhecido por suas obras primas de otimismo e crença na vitória da bondade dos homens livres, e nesse filme discute um valor fundamental à formação dos Estados Unidos: o Caráter intrínseco da democracia e sua capacidade de resistir, com o valor dos homens comuns, à república corrupta e à tirania dos poderosos. Capra é o principal mago da ideologia liberal americana no cinema, e mostra com maestria, no filme, a batalha de Jefferson Smith, chefe de escoteiros de um pequeno estado norte-americano, indicado pelo Governador ao Senado para substituir um senador que havia morrido. O Governador queria nomear um fantoche, mas, por um motivo absolutamente prosaico, após uma conversa de jantar com os filhos que conheciam os feitos de Smith, e sob pressão do partido para não nomear um político inexpressivo, resolve dar uma chance ao escoteiro. 

Em Washington, Smith reencontra o amigo conterrâneo de longa data de seu pai, o antigo Senador Joe Paine, e percebe que sua indicação nada passou de um reforço a um esquema corrupto para a construção de uma barragem no parque nacional em que atua o grupo de escoteiros. O esquema era financiado pelo empresário Jim Taylor, que mantinha no bolso parte expressiva do senado, o governador de seu estado, e inclusive o amigo Paine. Ao se recusar participar da infâmia, Smith é retaliado com toda a força disponível pelo empresário Taylor, que usa o Sen. Paine para acusar Smith de corrupção e promove um bloqueio midiático na região eleitoral do senador para impedir qualquer visão distinta dos fatos. Paralelamente, conclui-se processo sumário de cassação do mandato de Smith, liderado pelo próprio Sen. Paine, restando apenas a aprovação do pleno.

Impedido de defender-se, e traído pelo maior amigo de seu pai, Sen. Smith é aconselhado pela assessora legislativa Clarisse Saunders (a mulher que faz o homem), apaixonados, a defender-se diretamente na tribuna do Senado, pelo tempo que for necessário. A reação imediata do Senado foi chamar uma obstrução de quorum, a qual Clarisse consegue reverter obrigando o Vice-presidente da República, que nos Estados Unidos preside o Senado, a convocar todos os senadores para ouvir a defesa de Smith. Embasado em um dispositivo regimental que permite a fala de um senador a tribuna por tempo indeterminado, Smith profere um discurso de mais de 24 horas de duração, retardando sua cassação enquanto seus pequenos aliados escoteiros tentam romper o bloqueio da opinião pública promovido pelo poderoso Taylor. No entanto, as mobilizações fracassam e, após um dia e meio de discurso ininterrupto, Smith, exausto de sua defesa, desmaia em plenário, encerrando sua fala regimental. O crime teria sido perfeito, não fosse o colapso mental que a atitude de Smith provocou no velho Sen. Paine que, ao ver o desmaio do amigo, tentou suicídio na antessala da câmara alta e, não conseguindo, confessou para todos os parlamentares, bestializados, os verdadeiros esquemas que o empresário Taylor mantinha na casa, inocentando Smith e salvando a democracia da corrupção dos homens. 

No Brasil, o golpe aproxima-se do impeachment a cada passo novo dado, todos que nele tocam se contaminam radioativamente. A cena idílica de uma luta do bem contra o mal se traduz na disposição da presidenta de enfrentar as hienas cara a cara. Pena que não vivemos um filme de Capra, mas quisera eu sonhar com uma virada epopeica em que, envergonhados dos reais interesses que os moviam, senadores antes leais a Dilma arrependessem de suas traquinagens com a democracia e restabelecessem a ordem e a lei dos cidadãos comuns. Porém, a confluência de uma legislatura moribunda - cujos parâmetros de poder modificaram-se radicalmente com a proibição do financiamento empresarial de campanha, porém seus mandatos permanecerão intactos até 2018 - com a agenda perdida de um punhado de Jim Taylor permitiu um golpe institucional para apear do poder o controle do povo sobre o destino da nação que dificilmente será revertido. 

O paralelo entre Dilma e o filme de Capra é surpreendente. Espero mesmo que essa mensagem possa chegar à presidenta e, nas suas noites de preparação para o dia 29, tenha um tempo para assistir e se inspirar com essa obra-prima, se é que ela já não o tenha feito. Dois detalhes, no entanto, divergem profundamente a situação atual da película: Dilma não foi traída por quem a indicou ao posto máximo da nação; e, no filme, o Vice-Presidente, ao presidir o Senado, exerceu um papel fundamental ao assegurar o direito de tribuna do Sen Smith e assessorar gentilmente o processo de emergência da verdade pelo mecanismo infalível da democracia, e não derrubá-la a golpes de marretas e porretes, buscando exercer um poder que, legitimamente, nunca lhe pertenceria. 


PS: quem quiser assistir ao filme, está em cartaz no Netflix. Agradeço à cinéfila e companheira Daniela Freddo pela maravilhosa indicação.



Postado em Carta Maior em 23/08/2016



Uma Poesia e o Golpe







Roteiro



Parar. Parar não paro.

Esquecer. Esquecer não esqueço. 

Se caráter custa caro 

pago o preço. 


Pago embora seja raro.

Mas homem não tem avesso 

e o peso da pedra eu comparo 

à força do arremesso. 


Um rio, só se for claro.

Correr, sim, mas sem tropeço. 

Mas se tropeçar não paro 

- não paro nem mereço. 


E que ninguém me dê amparo

nem me pergunte se padeço.

Não sou nem serei avaro 

- se caráter custa caro 

pago o preço. 



Autor : Sidonio Muralha (Lisboa, 28 de julho de 1920 - Curitiba, 8 de dezembro de 1982), escritor português, viveu na África e depois no Brasil em exílio voluntário fugindo da Ditadura de Salazar. 



Para entendermos o contexto da poesia Roteiro é necessário um breve relato da História de Portugal.

Antonio Salazar assumiu o poder, em 1932, como chefe de governo (Primeiro Ministro), implantando a ditadura salazarista. Seu governo durou até o ano de 1968.

Impôs uma nova carta constitucional com traços explicitamente inspirados nos ditames do fascismo italiano. O novo documento estabeleceu a censura dos meios de comunicação, a proibição dos movimentos grevistas e a criação de um sistema político unipartidário. A partir de então, se instalava uma das mais duradouras ditaduras criadas na Europa.

Somente com a morte de Salazar, acontecida em 1970, um movimento revolucionário de caráter liberal tomou conta do cenário português. Em 1974, o movimento de transformação política atingiu seu auge com a deflagração da chamada Revolução dos Cravos. Somente após esse episódio, Portugal conseguiu dar fim a um dos mais trágicos momentos de sua história.

Por Rainer Sousa
Mestre em História



Nota

A poesia acima é a preferida do Senador Roberto Requião (PMDB-PR), que é contra o Golpe de Estado (travestido de Impeachment) e a favor da Democracia e do respeito aos votos que elegeram a Presidente Dilma Rousseff na eleição de 2014.

Agora são 23 horas e 40 minutos deste dia 9 de Agosto. A sessão no Senado continua, desde às 9 horas da manhã.

A maioria dos Senadores são Golpistas e com seus "discursos" estão tentando convencer a si próprios que não estão promovendo um Golpe e que a Presidenta cometeu crimes, portanto deve ser retirada do cargo para o qual foi eleita por mais de 54 milhões de brasileiros.

O Senador Roberto Requião, em seu lúcido e claro discurso, leu a poesia Roteiro. 

Creio que ele quis mostrar como age um homem de caráter em contraposição àqueles que não têm caráter algum, e que estão no Congresso Brasileiro em benefício próprio e a serviço do Capital, ignorando, completamente, o Povo Brasileiro.







Senador Lindbergh Farias : O golpe é das elites, é um golpe de classes !








Dilma Rousseff concede entrevista para a Revista Fórum





Revista lista principais declarações de Dilma em entrevista: 
“Vamos caminhar sempre mais fortes e mais livres”

Em entrevista para a Revista Fórum, a presidenta Dilma Rousseff falou, nesta terça (2), entre outras coisas, sobre sua representação na mídia tradicional, criticou o governo interino, os cortes na saúde, bem como editorial do jornal O Globo que pede privatização do ensino superior.


Dilma já foi absolvida pela História e os golpistas condenados





Paulo Nogueira


Não importa a votação final do Senado, Dilma já foi absolvida pela história e os golpistas condenados.

Ficou cabalmente provado que ela não cometeu o crime que lhe foi imputado na peça infame do impeachment.

Dilma não pedalou.

Ficou cabalmente provado, igualmente, que seu afastamento foi um golpe cínico, canalha, despudorado da plutocracia corrupta e predadora.

O objetivo em nenhum momento foi combater a corrupção. Isso serviu apenas de pretexto, como em 54 com Getúlio e 64 com Jango.

Se quisessem erradicar a corrupção, jamais o maestro do golpe teria sido Eduardo Capone Cunha e nem o beneficiário principal Michel 6% Temer.

A finalidade era conquistar o Estado por outro meio que não os votos e, uma vez feito isso, estabelecer um governo destinado a favorecer os plutocratas. Para tanto, programas sociais foram sendo postos no lixo mesmo sem Temer ser efetivado.

Temer. FHC. Aécio. Serra. Famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita, ao lado de seus comentaristas e editores de alto poder de famulagem. Sérgio Moro. Gilmar Mendes. O STF no conjunto.

Todas os nomes listados acima, apenas alguns entre tantos, são a escória destes tempos dramáticos para a democracia brasileira. E assim a posteridade os reconhecerá: seus filhos e netos haverão de se envergonhar de seu papel no golpe plutocrata.

Com Dilma é o oposto.

Ela foi claramente vítima de homens corruptos, ricos e inescrupulosos.

Não teve chance de governar desde que iniciou o segundo mandato que garantiu graças a 54 milhões de votos.

Foi imediatamente perseguida. Caçada. Aécio e FHC contestaram os votos das formas mais sujas possíveis. Em seu jornalismo de guerra, a mídia crucificou Dilma. A Lava Jato e Sérgio Moro compuseram um circo infernal. No Congresso, Eduardo Cunha, com seus métodos de gangster, inviabilizou qualquer possibilidade de Dilma passar medidas que pudessem fazer frente à crise econômica.

Não bastasse isso, a esquerda acusou Dilma injustamente de colocar em prática um programa conservador.

Ora, ora, ora.

Estes dois meses de Temer mostraram o que é, efetivamente, uma plataforma conservadora. Mesmo nas cordas, Dilma não mexeu nas ações sociais que tiraram milhões de brasileiros da miséria nos últimos anos.

Temer está fazendo o que Aécio teria feito caso fosse vitorioso.

A posteridade reparará mais esta injustiça contra Dilma: a da esquerda míope, que tradicionalmente, na história, facilita os golpes da direita.

É uma desgraça nacional, do ponto de vista das coisas concretas, ver um projeto thatcherista ser imposto aos brasileiros quando o mundo avançado já renegou o legado de Margaret Thatcher.

O thatcherismo foi responsável pelo crescimento vertiginoso da desigualdade social nos últimos 30 anos, com seus pilares francamente a favor dos ricos.

Nem os herdeiros de Thatcher, os conservadores britânicos, ousam falar em seu nome para a sociedade. Não existe uma única estátua de Thatcher na Inglaterra. É sábido que, se erguida hoje, será derrubada amanhã.

E mesmo assim Thatcher inspira os responsáveis pela economia brasileira. Um país já tão desigual se tornará ainda mais injusto.

Dilma, repito, já foi absolvida e os golpistas condenados.

Caso o golpe seja efetivado em agosto, Dilma cairá de pé, maior do que jamais foi. E os golpistas ganharão de joelhos, condenados ao desprezo eterno dos brasileiros.


Postado em DCM em 27/07/2016